O sinal verde da União Europeia ao acordo histórico com o Mercosul é motivo suficiente para fazer vibrar o time do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A negociação, uma vez sacramentada, representa muito mais que uma vitória no comércio. Para além do evidente ganho econômico para o Brasil e demais países do bloco, é também uma vitória pessoal de Lula. E, de quebra, um trunfo eleitoral.
Lula é defensor do acordo entre União Europeia e Mercosul desde seus primeiros governos. Ele também abriu a atual gestão com um discurso intenso em relação a um consenso entre os dois blocos. O presidente brasileiro queria reproduzir neste terceiro mandato o que viveu no seu auge. O sonho era voltar a ser “o cara”, como dizia Barack Obama.
O cenário de popularidade e exposição internacional ostentado pelo Lula daquele segundo mandato ainda está distante. Mas a pavimentação do acordo UE-Mercosul é uma bela cereja no bolo petista, ainda mais diante do impacto do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no comércio internacional. O presidente brasileiro tem se firmado como um dos defensores do multilateralismo. E conseguiu, assim, convencer mais países europeus a aderirem ao acordo.
Dentro do Brasil, Lula ganha um trunfo eleitoral que ninguém ou quase ninguém imaginava ser possível na largada do mandato: uma entrega enorme para o agronegócio brasileiro. E que vem em um momento delicado, em que mudanças na política comercial chinesa trariam um impacto grande no setor.
Não que isso renda ao petista uma virada completa do agro na direção do seu governo. Afinal, o presidente não foi o único motor dessa negociação. Mas, ao menos, melhora bastante o humor de um segmento que há tempos se mostra alinhado ao bolsonarismo.

