O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou motivação pessoal ao restringir o acesso da cúpula da Polícia Federal (PF) aos detalhes do inquérito do Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro.
De acordo com interlocutores do ministro, não se trata de um ato específico ao diretor-geral da instituição, Andrei Rodrigues, mas de uma técnica de compartimentação da informação adotada como padrão pelo magistrado em todos os processos.
O objetivo é proteger as informações e evitar vazamentos ao permitir que apenas investigadores diretamente ligados às diligências tomem conhecimento dos dados.
Por sua vez, a cúpula da PF minimizou a decisão, afirmando também se tratar de um “padrão” que não trará mudanças ou prejuízos à investigação.
Em sua primeira decisão como relator do caso Master, na quinta-feira (19), Mendonça deu autonomia à PF na investigação que apura a fraude financeira. Por outro lado, limitou o acesso aos dados somente a autoridades e agentes policiais que atuam no caso, proibindo até mesmo o compartilhamento de informações com a chefia.
Disse Mendonça na decisão: “Somente as autoridades policiais e agentes diretamente envolvidos na análise e condução dos procedimentos reciprocamente compartilhados é que devem ter conhecimento das informações acessadas, o que lhes impõe o dever de sigilo profissional, inclusive em relação aos superiores hierárquicos e outras autoridades públicas.”
A determinação ocorreu em meio ao clima de desconfiança de parte do STF com a PF, após o diretor-geral da corporação ter entregue ao presidente da Corte, Edson Fachin, um relatório com menções a Dias Toffoli no celular de Daniel Vorcaro. O episódio levou Toffoli a deixar a relatoria do Caso Master, sendo substituído por Mendonça na última quinta-feira (12).
Aliados do diretor-geral da PF também minimizaram a decisão do novo relator do caso, confirmando tratar-se de um padrão que em nada mudará na investigação.

