O ano eleitoral de 2026 promete um calendário apertado para o Congresso Nacional, com muitos assuntos importantes concentrados em um período curto, marcado por feriados e pela proximidade das eleições municipais.
Segundo o analista político Teo Cury, o período eleitoral, que começa oficialmente em 16 de agosto, combinado com o recesso parlamentar de julho, antecipa para junho o limite de aprovação de temas importantes no Legislativo.
“Há ainda uma concentração de feriados nesse primeiro semestre, que diminui ainda mais a agenda desse primeiro semestre. Isso faz com que haja um calendário muito mais apertado para votações, para deliberações e discussões de assuntos de interesse nacional, tanto na Câmara quanto no Senado”, explicou Cury.
Entre os temas prioritários que devem ser discutidos neste período estão a MP do Gás do Povo, a PEC da Segurança, o PL Antifacção, a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, a MP de criação de novos cargos e a escala 6×1. Cury destacou que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, priorizou assuntos de interesse do governo federal nesse primeiro semestre, o que representa uma boa notícia para o governo do presidente Lula, em meio a demandas da oposição.
Paralelamente, o Supremo Tribunal Federal retoma os trabalhos nesta segunda-feira (2) com uma série de processos de grande repercussão política na pauta. Os assuntos criminais vão demandar muita atenção dos ministros do STF, incluindo casos relacionados a emendas parlamentares, o caso Marielle e as investigações sobre o banco Master. Cury ressaltou que as emendas parlamentares têm relação direta com as eleições, por serem uma das principais prerrogativas dos parlamentares para enviar recursos às suas bases eleitorais.
Possível CPI do Banco Master
No Congresso, há ainda a discussão sobre a possível instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ou Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o caso do Banco Master. “Esse é um ponto que vai demandar muita atenção, porque a agenda é apertada para mais uma CPI lá no Congresso Nacional”, observou o analista.
O calendário legislativo de 2026 foi planejado considerando essas limitações de tempo. No final de 2025, o Congresso concentrou a deliberação de assuntos mais polêmicos, como a cassação de deputados e o PL da Dosimetria, para evitar que esses temas contaminassem a agenda em ano eleitoral.

