O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), renunciou ao cargo nesta segunda-feira (23). A saída do Palácio Guanabara ocorreu na véspera do julgamento contra ele no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). “Hoje eu encerro meu tempo à frente do governo do estado. Vou em busca de novos projetos. Sou pré-candidato ao Senado. Saio de cabeça erguida e de forma grata”, afirmou.
Segundo apuração, a estratégia busca antecipar a desincompatibilização para disputar o Senado Federal pelo Rio e driblar eventual cassação no julgamento.
A antecipação da saída do governo em duas semanas indica que Castro e sua equipe apostam em uma condenação pelo TSE depois de uma absolvição no TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro), em 2024. Há dois votos pela condenação do governador no TSE.
A análise havia sido suspensa após pedido de vista do ministro Nunes Marques. Antes da interrupção, a relatora Isabel Gallotti votou pela cassação de Castro e também do presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar, defendendo ainda a realização de novas eleições no estado.
Entenda o caso
As ações em julgamento apontam um suposto esquema de contratações irregulares na Fundação Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro), com cerca de 27 mil cargos temporários que, segundo as investigações, teriam sido usados para empregar cabos eleitorais e fortalecer a campanha de reeleição de Castro em 2022.
O caso chegou ao TSE após recurso do Ministério Público Eleitoral contra decisão anterior do TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro) que havia rejeitado os pedidos de cassação.
Se a maioria dos ministros acompanhar o voto da relatora, Isabel Gallotti, além da perda definitiva do mandato, Castro ficará impedido de disputar eleições até 2030. A Corte também poderá determinar nova eleição para o governo do estado, alterando o cenário político fluminense às vésperas do calendário eleitoral de 2026.

