Em conversas com senadores para buscar apoio, o advogado-geral da União, Jorge Messias, tem afirmado que pretende atuar de maneira discreta e que exercerá a autocontenção caso seja aprovado pelo Senado para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo relatos à imprensa, o ministro tem usado o termo “recatado” para resumir como se portará no STF caso tenha maioria de votos no plenário do Senado.
O indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Corte costuma dizer que se espelhará em magistrados que não costumam se expor em ambientes públicos e que nem têm parentes na advocacia que possam suscitar conflito de interesses.
Messias também tem destacado aos parlamentares que prezará pela transparência e que uma das iniciativas nesse sentido será divulgar a agenda diária de reuniões e encontros com advogados e autoridades públicas.
Os ministros Cristiano Zanin e Edson Fachin são citados como exemplos de discrição admirada pelo indicado ao Supremo.
Até o momento, porém, Messias ainda não sabe se, de fato, assumirá um assento no tribunal mais importante do país. A escolha de Lula irritou a cúpula do Senado, que preferia a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga no STF de Luís Roberto Barroso, que antecipou a aposentadoria depois de deixar a presidência da Corte.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), é o principal empecilho à aprovação de Messias. Em novembro, emitiu uma nota oficial para criticar a condução do governo em relação às articulações em favor do advogado-geral da União.
Poucas semanas depois, porém, Alcolumbre se reaproximou de Lula, fez elogios públicos e ambos conversaram ao telefone para aparar as arestas.

