As três operações contra o crime organizado deflagradas nesta quinta-feira (28) viraram palco de embate político entre o Palácio do Planalto e o Palácio dos Bandeirantes. Tanto o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), buscaram um protagonismo de seus respectivos governos nas ações que miraram a corrupção no setor de combustíveis e o financiamento de organizações criminosas.
Em publicação nas redes sociais, Lula classificou as operações como “a maior resposta do Estado ao crime organizado de nossa história”, com ênfase no papel do Ministério da Justiça. O titular da pasta, Ricardo Lewandowski, aproveitou o momento para reforçar a defesa da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública, que prevê maior integração entre as polícias estaduais e federais.
“A proposta do governo do Brasil é justamente esta: que todas as forças de segurança do país se entrosem, que as inteligências sejam compartilhadas e as ações, coordenadas. Esperamos que seja aprovada em breve,” afirmou Lewandowski.
Na prática, a PEC anda a passos lentos no Congresso, com bastante resistência de governadores.
Do outro lado, o governador Tarcísio também foi às redes para afirmar que foi sua gestão quem deflagrou “a maior operação da história contra o crime organizado no setor de combustíveis.” Ele exaltou o trabalho das polícias paulistas e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público Estadual.
As declarações antecipam o que deve ser um dos principais embates políticos de 2026. Lula pretende concorrer à reeleição. Tarcísio, por sua vez, é visto como uma das principais lideranças da direita, que ainda não definiu quem vai herdar o espólio eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro, inelegível até 2030 e em prisão domiciliar.
Durante coletiva sobre uma das operações em São Paulo, o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, também apontou os impactos das fake news na luta contra o crime. Ele citou boatos sobre uma suposta taxação do Pix, que circularam no início do ano e, segundo ele, beneficiaram o crime organizado.
“As operações mostram que, independentemente das intenções, as pessoas que espalharam aquelas fake news, aquelas mentiras no início do ano, ajudaram o crime organizado,” disse Barreirinhas.
Um dos motivos para o recuo do governo federal foram os vídeos do deputado federal de oposição, Nikolas Ferreira (PL-MG).
Ao longo do dia, o PL minimizou as alfinetadas e adotou o discurso de que o foco principal deve ser o combate ao crime.
No Congresso, as frentes parlamentares da Agropecuária, do Biodiesel, do Empreendedorismo e do Etanol defenderam a aprovação urgente de quatro projetos de lei que ampliam a fiscalização no setor de combustíveis.
— Das notas fiscais: autoriza a ANP a acessar dados da Receita;
— Das penalidades: amplia multas a fraudadores;
— do Operador Nacional dos Combustíveis: reforça a fiscalização e aumenta sanções administrativas;
— Do devedor contumaz: identifica e pune inadimplentes recorrentes.
O Ministério da Fazenda também enxerga as operações como uma oportunidade para avançar com o projeto que mira devedores contumazes.