A sucessão em Minas Gerais foi apontada como um dos focos centrais da disputa de 2026. O segundo maior colégio eleitoral do país reúne, ao mesmo tempo, indefinições na direita, vazio de lideranças competitivas na esquerda e uma articulação silenciosa do atual vice-governador, que pode reorganizar o tabuleiro estadual.
O analista político João Paulo Machado destacou que, apesar da especulação sobre candidaturas como a do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), há um movimento mais estruturado em curso.
“Você citou dois personagens que estão ali fazendo jogo duro [Rodrigo Pacheco e Nikolas Ferreira] para se colocar como candidatos ao governo de Minas Gerais, mas tem um que quer muito, que é o vice-governador Matheus Simões”, afirmou.
Simões, atualmente no PSD, deve assumir o governo com a saída de Romeu Zema para disputar a Presidência. Segundo a análise apresentada, ele trabalha para consolidar um arco amplo de alianças.
“Ele está montando um arco de alianças que vai do PSD à Federação União Brasil-PP e hoje também está abarcando, nessas negociações iniciais, o Partido Liberal”, disse Machado.
Essa costura ajuda a explicar a resistência de Nikolas Ferreira em entrar na disputa estadual neste momento. “Ele entende, pelo menos segundo interlocutores que a gente ouve no Estado de Minas, que ainda não é o momento para ele se colocar nesse posto”, afirmou o analista político.
Pela avaliação feita no programa, apoiar Simões agora poderia abrir espaço para uma disputa futura mais favorável ao PL, inclusive com perspectiva de reeleição em 2030.
No campo mais próximo ao governo federal, o cenário também é indefinido. Machado apontou que há um “vazio político hoje de nomes populares no campo da esquerda em Minas Gerais”. A prefeita de Contagem, Marília Campos, chegou a ser cogitada como nome competitivo, mas, demonstra preferência por uma candidatura ao Senado.
Nesse contexto, o senador Rodrigo Pacheco surge como alternativa para compor o palanque de Lula no Estado. “O Rodrigo Pacheco pode ser esse nome para ocupar esse vazio no centro e na centro-esquerda”, afirmou Machado. No entanto, a situação partidária complica o desenho. Pacheco está no PSD, legenda que também integra o arco de alianças de Matheus Simões.
“Tem sido conversado e negociado em Minas Gerais uma mudança de partido do senador Rodrigo Pacheco”, disse o analista, citando a possibilidade de migração para outra legenda caso ele aceite disputar o governo.
Minas Gerais concentra uma equação decisiva para 2026. Historicamente, o Estado costuma acompanhar o resultado nacional e é visto como estratégico para qualquer candidatura presidencial competitiva. Com a direita dividida entre a consolidação de alianças regionais e a projeção nacional, e com a esquerda buscando um nome viável, o palanque mineiro pode influenciar diretamente o equilíbrio da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Segundo a avaliação de analistas políticos, a definição em Minas não é apenas estadual. Ela pode afetar o tempo de televisão, a mobilização regional e a capacidade de formação de maioria no Congresso a partir de 2027. Em um cenário de polarização consolidada e rejeição elevada, cada colégio eleitoral relevante passa a ter peso estratégico — e Minas Gerais está no centro dessa equação.

