No sexto dia de conflito, a guerra entre EUA e Irã se estendeu para além dos limites do Oriente Médio. A área atingida vai agora do Chipre, ilha no Mediterrâneo, ao Sri Lanka, ilha no Oceano Índico, ao sul da Índia.
O Sri Lanka já havia entrado na rota na quarta-feira (4), com o ataque submarino dos EUA a um navio iraniano na costa do país. Nesta quinta (5), porém, a Turquia anunciou que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) derrubou um míssil vindo do Irã, o Azerbaijão foi atingido por dois drones iranianos e uma base militar britânica no Chipre foi alvo de drones, também lançados pelo Irã.
No Oriente Médio, os ataques prosseguem. Nesta quinta, EUA e Israel intensificaram os bombardeios no Irã, que retaliou atingindo uma base militar americana no Iraque e um navio-petroleiro com bandeira dos EUA no Golfo Pérsico.
Israel também iniciou bombardeios no sul de Beirute, capital do Líbano.
A Guarda Revolucionária iraniana afirmou ainda ter atingido o porta-aviões USS Abraham Lincoln, o que não foi confirmado pelos EUA.
Números da guerra
- Mais de 23 mil voos já foram cancelados como consequência da guerra.
- Mais de 500 mil pessoas devem evacuar o sul do Líbano após alerta de ataque de Israel.
Nesta quinta, não houve atualização sobre número de mortes totais no conflito ou sobre quantos foram vitimados pelos ataques do dia.
Israel eleva o tom
Israel prometeu nesta quinta endurecer ainda mais os ataques. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, disse que o subúrbio de Beirute será arrasado “muito em breve” e comparou a destruição prevista ao que foi feito em Khan Younis, na Faixa de Gaza.
Duas fontes israelenses ouvidas pela Reuters disseram que caças do país devem atacar locais de mísseis balísticos enterrados em profundidade, em investidas que marcam uma nova fase da guerra.
Outra declaração que repercutiu no sexto dia de conflito foi a do ministro da Defesa, Israel Katz, segundo o qual Israel decidiu matar o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em novembro e planejava realizar a operação cerca de seis meses depois.
Trump quer influenciar sucessão no Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a falar em mudança de governo no Irã. Para ele, é “inaceitável” que o filho de Ali Khamenei se torne o novo líder supremo do país. Mojtaba Khamenei é o favorito para assumir o posto.
Em entrevista ao site Axios, Trump disse que “precisa” ter participação direta na escolha do próximo líder supremo do Irã e comparou a situação ao que descreve como sua atuação na Venezuela.
Já em entrevista à Reuters, Trump afirmou que apoiaria uma ofensiva curda no Irã. “É ótimo que queiram fazer isso, eu seria totalmente a favor”, disse.
Veio à tona nesta quinta uma conversa ocorrida na terça entre altos oficiais das Forças Armadas dos EUA e parlamentares. No encontro, os militares teriam dito que o país pode não ter capacidade de interceptar todos os drones iranianos lançados contra bases americanas.
Autoridades iranianas resistem
Do lado iraniano, as declarações indicam disposição de continuar resistindo. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que o país não teme uma invasão terrestre: “Temos confiança de que podemos confrontá-los, e isso seria um grande desastre para eles”.
Abbas também descartou qualquer negociação com os EUA e disse que o Irã não pediu cessar-fogo.
Outros países se envolvem no conflito
Em guerra contra a Rússia dentro de seu próprio território, a Ucrânia foi arrastada ao conflito no Oriente Médio. Segundo o presidente Volodimir Zelenski, os Estados Unidos pediram ajuda para lidar com drones iranianos. Ele informou que a Ucrânia vai fornecer tecnologia de interceptação de drones aos EUA em troca de mísseis Patriot.
O movimento está alinhado à preocupação dos militares americanos de não conseguir deter todos os drones lançados pelo Irã e foi anunciado dois dias depois de oficiais exporem o problema em reunião com políticos em Washington.
O Reino Unido, por sua vez, cedeu às pressões de Trump e anunciou o envio de quatro caças ao Catar, além de reforçar o sistema de defesa aérea de sua base no Chipre.
Na direção oposta, o presidente da França, Emmanuel Macron, pediu que o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, não expanda a guerra para o Líbano. “As autoridades libanesas se comprometeram a assumir o controle das posições ocupadas pelo Hezbollah e a responsabilidade total pela segurança em todo o território nacional. Eu lhes dou meu total apoio”, escreveu Macron no X.
A Otan, apesar de ter atuado na interceptação de um míssil que atingiria a Turquia, reiterou que não entrará diretamente no conflito. O secretário-geral da organização, Mark Rutte, afirmou que não pretende invocar o Artigo 5º, que trata da defesa coletiva do bloco, mas reforçou o apoio aos EUA e a Israel e disse que a aliança “está vigilante”.
“O mais importante é que nossos adversários viram ontem que a Otan é muito forte e muito vigilante — e ainda mais vigilante, se possível, desde sábado”, afirmou.

