Portugal intensificou em 2024 o controle nas fronteiras aéreas e marítimas, e os brasileiros foram os estrangeiros mais afetados por essa mudança. Segundo dados do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), divulgado na terça-feira (1º), o número de brasileiros impedidos de entrar no país saltou de 179 em 2023 para 1.470 em 2024 — um aumento de 722% em apenas um ano.
O número chama atenção não só pelo crescimento acentuado, mas também pela representatividade: os brasileiros responderam por 85% de todas as recusas de entrada em aeroportos portugueses no último ano. Ao todo, 1.727 estrangeiros foram barrados no período.
A principal razão para a negativa de entrada foi a falta de justificativa plausível: 768 passageiros não conseguiram explicar às autoridades migratórias o motivo da viagem. Em segundo lugar, apareceram os casos de visto vencido ou inadequado, com 352 ocorrências.
Além disso, o relatório mostra que o controle de fronteiras se tornou mais rigoroso desde o desembarque, com barreiras sendo colocadas antes mesmo da área de imigração, em cumprimento às normas da União Europeia. Em 2024, 24,6 milhões de passageiros foram fiscalizados em Portugal, número 7,9% maior que o registrado em 2023.
Brasil no foco da segurança
A ofensiva migratória não se limita aos aeroportos. O RASI aponta que grupos criminosos brasileiros estão entre os mais ativos em Portugal, principalmente no narcotráfico, utilizando o país como rota de entrada de cocaína na Europa. O relatório também menciona que brasileiros aparecem com frequência em ações de combate à imigração irregular.
O controle migratório incluiu a realização de 1.961 ações de inspeção e fiscalização, resultando na expulsão de 146 pessoas — 42 por via administrativa e 100 por decisão judicial. Outros 444 estrangeiros receberam notificação para abandonar voluntariamente o território português.
Outro ponto sensível é a exploração laboral. O tráfico de pessoas com essa finalidade registrou 213 vítimas em 2024, muitas delas atuando em setores como agricultura, construção civil, indústria têxtil e trabalho doméstico — áreas onde a mão de obra brasileira tem forte presença.
Além dos brasileiros, foram impedidos de entrar no país cidadãos de Angola (274), Reino Unido (108), Índia (83), Guiné-Bissau (72), Timor-Leste (70) e Senegal (68).