Passados 17 anos desde seu último show no Brasil, o grupo australiano de hard rock AC/DC fez seu primeiro de três shows em São Paulo, no estádio do Morumbis, nesta terça-feira (24). O espetáculo levou 70 mil fãs ao local, com bilheteria esgotada.
A banda, que já não está mais em sua formação original desde o álbum Black Ice (2008), trouxe um repertório que contemplou suas cinco décadas de existência.
Está também foi a primeira performance do grupo em terras brasileiras desde a morte do guitarrista Malcolm Young, que faleceu em 2017 após ser diagnosticado com mal de alzheimer e um quadro de demência.
Os primeiros acordes trouxeram a clássica “If You Want Blood (You’ve Got It)”, do disco Highway to Hell (1979). Em seguida, o grupo emendou “Back in Black”, a caçula “Demon Fire” e depois trouxe outra veterana, “Shot Down in Flames”.
Também completaram o repertório músicas aclamadas pelo público como a própria “Highway to Hell”, “T.N.T”, “You Shook Me All Night Long”, “Shoot to Thrill”, “Hells Bells”, “Sin City”, “Dirty Deeds Done Dirt Cheap” e “Thunderstruck”.
Angus Young (guitarra) era o único dos integrantes originais do grupo, mas Brian Johnson (vocal) faz parte da formação mais conhecida da banda, estando há mais de 40 anos no AC/DC. Stevie Young (guitarra), sobrinho de Angus, Chris Chaney (baixo) e Matt Laug (bateria) completavam o quinteto.
Angus entrou no palco com seu icônico uniforme escolar, que usa em todas as apresentações da banda desde a década de 1970, mas agora com as roupas em cores do Brasil.

• Pedro Zanatta/Reprodução
Mesmo com os dedos menos ágeis, aos 70 anos, Young cativou o público e conseguiu exercer muito bem a presença de palco, interagindo e sendo acompanhado por Brian.
O vocalista é o mais velho da banda, já com 78 anos e, apesar de não alcançar as mesmas notas do passado, o britânico sorriu ao longo de toda a apresentação e acenou diversas vezes para o público.
Os outros três integrantes seguiram o roteiro e não decepcionaram, com uma performance adequada e sem deixar a desejar nos icônicos backing vocals que transformam as faixas em verdadeiros hinos.
O show, que parecia um milagre para os brasileiros, aconteceu e mostrou a resiliência dos veteranos do rock, principalmente a dupla Angus e Brian. A banda já não era a mesma das outras passagens pelo país, em 1985, 1996 e 2009, mas a emoção que tomou o público parecia intacta.
O encerramento do show se deu com a tradição da banda: canhões apontados para o alto e a ode ao rock ‘n’ roll, “For Those About to Rock (We Salute You)”, do álbum homônimo de 1981.
A apresentação desta terça-feira faz parte da turnê “Power Up”, título do último álbum lançado em 2020. A banda ainda fará mais dois shows em São Paulo, no sábado (28) e no dia 4 de março.
Can’t Stop Rock ‘n’ Roll
Ao longo dos mais de 50 anos na estrada, a última década têm sido conturbada para o quinteto.
Em 2016, Brian Johnson foi diagnosticado com um quadro de surdez progressiva, que se desenvolveu ao longo dos anos com o impacto dos decibéis altíssimos que eram atingidos nos shows. Isso gerou uma substituição imediata durante a turnê do álbum “Rock or Bust”, pelo vocalista do Guns N’ Roses, Alx Rose.
Em seguida, em 2017, Malcolm Young, peça-chave da banda para o ritmo e composições, morreu por conta de complicações causadas pela demência, sendo um baque para os demais integrantes.
Phil Rudd, baterista original, também já não estava mais no quadro, tendo se afastado por conta de problemas legais na Nova Zelândia. Apesar de mais discreto, o swing de suas baquetas emplacava uma cadência característica no ritmo da banda, ausência sempre notada pelos fãs mais veteranos do grupo.
O cenário indicava que as guitarras deixariam de soar para o AC/DC, mas em 2020 veio o anúncio do disco “Power Up” e, com ele, uma nova turnê. Angus topou o desafio e Brian conseguiu retornar aos palcos com ajuda do tratamento que vinha sendo feito.
No Morumbis, o AC/DC fez o que sabe fazer de melhor: apresentar um rock ‘n’ roll puro, sem truques tecnológicos. Com nostalgia, mas também reafirmando o porquê são tidos como lendas e uma das maiores bandas do mundo.

