O ministro da Defesa e o ministro das Relações Exteriores do Peru renunciaram a seus cargos nesta quarta-feira (22), em meio a crescentes especulações sobre o status de uma compra multibilionária de aeronaves F-16 dos Estados Unidos.
O presidente interino José Balcázar, que deixa o cargo em julho, buscou esclarecer que não se opôs ao acordo, mas sim adiou qualquer pagamento até que a próxima administração assuma, após a eleição presidencial.
O ministro da Defesa, Carlos Díaz, e o chanceler, Hugo de Zela, apresentaram suas renúncias mais cedo na quarta-feira, citando sua discordância com a forma como Balcázar conduziu as negociações do acordo.
“Foi tomada uma decisão estratégica na área de segurança nacional com a qual tenho uma discordância fundamental”, afirmou Díaz em sua carta de renúncia.
Balcázar, em pronunciamento televisionado, disse que suas declarações anteriores sugerindo que a compra havia sido adiada foram mal interpretadas, indicando que o acordo avançou, enquanto o compromisso financeiro ficará a cargo do próximo governo.
O Peru passou anos negociando com diferentes empresas para modernizar sua envelhecida frota de caças Mirage 2000 e MiG-29, adquiridos nas décadas de 1980 e 1990. O país pretende adquirir ao todo 24 aeronaves, mas um primeiro acordo seria para 12 unidades.
Empresa americana é a principal concorrente para a compra dos F-16
Entre os concorrentes está a empresa americana Lockheed Martin.
O Departamento de Estado dos EUA aprovou, em setembro, a possível venda de aeronaves F-16 e suporte relacionado ao Peru, com a Lockheed como principal contratada, ao lado da General Electric Aerospace e da RTX Corp, em um acordo avaliado em cerca de US$ 3,42 bilhões, segundo o Pentágono. Elas competem com empresas da Suécia e da França para vender caças ao Peru, de acordo com o governo.
Balcázar cancelou, na última sexta-feira (17), uma cerimônia de assinatura para a aquisição dos caças F-16 da Lockheed Martin poucas horas antes de sua realização, citando preocupações em vincular o próximo governo a um compromisso de defesa de grande porte, disse uma autoridade do governo à Reuters.
Em aparente resposta à decisão, o embaixador dos EUA no Peru, Bernie Navarro, afirmou poucas horas depois que Washington usaria “todas as ferramentas disponíveis” contra partes que negociassem “de má-fé” com os Estados Unidos, em uma publicação na rede X.
A embaixada dos EUA em Lima não respondeu a um pedido de comentário da Reuters.
“Continuamos firmes em respeitar todos os acordos que possam ter sido alcançados no âmbito das forças armadas, ou neste caso com o ministério relevante da força aérea, para realizar as negociações correspondentes”, disse Balcázar.
As negociações ocorrem no momento em que os Estados Unidos intensificam sua mais assertiva ofensiva em anos para reforçar sua influência no Peru, um grande produtor de cobre que se tornou um parceiro estratégico importante para a China, segundo líderes empresariais e autoridades de alto escalão.
Em janeiro, a Casa Branca designou o Peru como um importante aliado extra-Otan, uma medida que aprofundaria a cooperação em defesa e ampliaria o acesso a programas de comércio e segurança.
O Departamento de Estado dos EUA também aprovou um pacote de equipamentos para ajudar a modernizar uma base naval próxima ao porto de Callao.

