O delegado da Polícia Federal Otávio José Lima de Oliveira detalha que o grupo alvo da operação Bula Fria, nesta quinta-feira (2), contrabandeou medicamentos de combate ao câncer da Argentina e vendeu os medicamentos em hospitais brasileiros.
“Durante as investigações conseguimos identificar que a origem dos medicamentos tratava-se de um lote oriundo da Argentina. Verificamos que alguns hospitais no Brasil receberam esse lote”, explicou.
As investigações revelaram o esquema estruturado de introdução clandestina de medicamentos com enfoque em fármacos oncológicos de alto custo, a exemplo do Keytruda (pembrolizumabe).
Segundo o delegado, a caixa desse remédio varia entre R$ 30 mil a R$ 40 mil e o grupo “esquentava” para revender a hospitais brasileiros, para dar aparente legalidade.
O caso começou a ser investigado após uma denúncia e suspeita do rótulo em espanhol – sem tradução – nos frascos dos medicamentos.
Além da origem clandestina, a PF constatou que os medicamentos eram armazenados e transportados sem o controle de temperatura adequado, o que representa um grave risco de deterioração do princípio ativo e, consequentemente, de ineficácia terapêutica e danos à saúde pública.
Os responsáveis, dois empresários do ramo farmacêutico, e duas empresas, foram alvos da PF nesta quinta, com cumprimento de quatro mandados de buscas e apreensões em São Paulo e Goiás. O MPF (Ministério Público Federal), a Receita Federal do Brasil e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) também participaram da ação.

