O Ibovespa fechou quase estável nesta quinta-feira (2), com o desempenho das ações de petrolíferas, como a Petrobras, amortecendo a pressão negativa desencadeada por preocupações com uma escalada no conflito no Oriente Médio.
Notícias sobre discussões envolvendo a abertura do Estreito de Ormuz, que transporta cerca de um quinto do consumo de petróleo do mundo, também ajudaram na melhora dos mercados, após o presidente dos Estados Unidos dizer que as operações militares contra o Irã serão intensificadas nas próximas semanas.
O Ibovespa fechou em leve alta de 0,05%, aos 188.052,02 pontos. Na semana, o índice acumulou alta de 3,58%.
Já o dólar à vista encerrou o dia com leve alta de 0,02%, cotado a R$ 5,1599 na venda. Na semana encurtada pelo feriado de Páscoa, a moeda norte-americana acumulou baixa de 1,51% e, no ano, recuo de 6,00%.
O principal índice da bolsa marcou 185.213,54 pontos na mínima e 189.250,57 pontos no melhor momento da sessão.
O volume financeiro no pregão desta quinta-feira somou R$ 24,64 bilhões, abaixo do volume médio diário do ano, de R$ 35,58 bilhões, com agentes financeiros também considerando o feriado na sexta-feira.
Na visão do sócio-fundador da Ciano Investimentos Lucas Sigu, a bolsa brasileira experimentou uma acomodação após desempenho mais forte nas últimas sessões, mas o fato de ter encerrado distante da mínima mostra que há uma “alta reprimida” no pregão brasileiro, que segue como destino de estrangeiros.
Dados da B3 mostram que março fechou com um saldo positivo de capital externo de quase R$ 11,7 bilhões, ampliando a entrada líquida no ano para cerca de R$ 53,4 bilhões.
Nesta quinta-feira, os mercados globais foram pressionados pelo discurso da véspera do presidente dos EUA, de que as operações militares contra o Irã serão intensificadas nas próximas duas ou três semanas, o que minou expectativas de um fim rápido na guerra que começou com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro.
“Posso dizer esta noite que estamos nos encaminhando para concluir todos os objetivos militares dos Estados Unidos em breve, muito em breve”, disse Donald Trump.
“Vamos atingi-los com muita força nas próximas duas ou três semanas. Vamos levá-los de volta à Idade da Pedra, que é o lugar deles.”
Na visão do economista-chefe global da Oxford Economics, Ryan Sweet, Trump sinalizou uma escalada antes de uma eventual desescalada no conflito.
Trump também disse que os EUA não precisam do Estreito de Ormuz — que está praticamente fechado desde o começo do conflito — e desafiou os aliados que dependem do petróleo na região a trabalharem para reabri-lo, o que adicionou preocupações sobre a abertura da via, crucial no transporte do petróleo no mundo.
A notícia de que o Irã está elaborando um protocolo com Omã para monitorar o tráfego no Estreito de Ormuz, reportada pela agência de notícias oficial IRNA, citando o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kezem Gharibabadi, porém, trouxe algum alento, apoiando expectativas de abertura de Ormuz.
O Reino Unido disse nesta quinta-feira que cerca de 40 países também estão discutindo uma ação conjunta para reabrir o Ormuz, a fim de impedir que o Irã mantenha “a economia global refém”.
No exterior, o barril de petróleo sob o contrato Brent – referência global – fecharam em alta de 7,78%, para US$ 109,03 por barril. Ao mesmo tempo, os futuros do petróleo bruto WTI encerraram com avanço de 11,41%, a US$ 111,54 o barril.

