O caminho da vida traçado pela juventude sempre foi repleto de incertezas, principalmente no que tange às tomadas de decisões sobre as suas escolhas pessoais e profissionais. Insegurança do que ser, do que fazer e de como agir diante do mundo, obnubila o futuro e aumenta as suas dúvidas sobre o destino e a vida. Os questionamentos sobre o mundo juvenil são inúmeros e bastante complexos, desafiando estudos sociológicos, psicológicos, culturais, geracionais e tantos outros. Além disso, a singularidade e a pluralidade conceitual fortalecem ainda mais as especulações sobre o que sabemos desse universo enigmático, desse estranho caleidoscópio que desafia as mais diversas formas de abordagens.
Mundo contingente, pode ser caracterizado a partir de três figuras metafóricas: a do trem, a do ônibus e a do labirinto (cruzamento de estradas). Diante dessas três formas de encarar o problema, podemos observar a morte e o nascer de novos valores, o surgimento de novas formas de pensar e de novas visões de mundo, de conflitos antes inexistentes ou silenciados que surgem dando origem a novos tipos de relações.
Num primeiro momento, a tomada de decisão do que ser e do que fazer valorava os elos sociais verticais ou horizontais de mando e de respeitabilidade, numa busca contínua e de observância do pacto baseado na tradição. Nesse contexto, as escolhas realizadas pelos jovens eram quase nenhuma pois estavam gravadas num conjunto de possibilidades já perfeitamente delineadas pelos seus responsáveis. Diante disso, a partida e a chegada desses atores juvenis figuravam como se fossem uma viagem de trem na qual não havia nenhum desvio ou rota alternativa ou abrupta – embora de vez em quando houvesse uma escapadela-, sabia-se exatamente o destino final. Aqui a certeza do que seria a vida do jovem era quase total.
Em um momento posterior, a vida do jovem pode ser retratada como a de um passageiro numa viagem de ônibus. Neste, os pais ou responsáveis o embarcam na estação de partida, mas não se tem uma visão clara e nem plena certeza do seu destino. Aqui as incertezas se multiplicam, as formas de encarar a vida e o esgarçamento dos laços sociais e das relações familiares, além da adoção de novos valores aparecem como geradores de incompatibilidades. A tradição deixa de ser o núcleo de estabilidade da vida do jovem. Ele parte, isso é certo, mas não se sabe para onde e nem o destino escolhido.
Hodiernamente, talvez o momento mais complexo de todos, o jovem se encontra diante de uma encruzilhada, num labirinto de decisões, não sabe de onde partir e nem para onde ir. Olha para um lado… olha para o outro e não encontra nenhuma certeza, as suas crenças e valores transparecem como amarras do seu modo de pensar e de agir. Conceitos de família, fé, razão e verdade estão em desconstrução. Vive-se a liquidez da vida. O jovem vive a certeza da incerteza, ele é o próprio mal-estar do humano. Ele caminha para um destino eternamente em construção.