Integrantes do Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube aprovaram, na noite desta sexta-feira (16), no Morumbis, o pedido de impeachment do presidente Julio Casares por 188 votos de 223 possíveis.
45 conselheiros rejeitaram o pedido e outros dois votaram em branco. A votação foi baseada na denúncia tornada pública em dezembro do ano passado quanto a um suposto esquema de comercialização irregular de camarotes do Morumbis em dias de show.
Agora, Casares será afastado da presidência do clube até a realização de uma Assembleia Geral dos sócios, que aprovará ou não a decisão dos 223 conselheiros presentes (in loco e virtualmente) à reunião desta sexta.
Impeachment terá que ser aprovado pelos sócios
Presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Olten Ayres terá um prazo de 30 dias para convocar a assembleia. Até lá, o vice-presidente do clube, o empresário Harry Massis Junior, de 80 anos, assumirá a presidência interinamente.
Caso os sócios aprovem o impeachment em definitivo, Massis segue no comando do São Paulo até o fim do ano, quando novas eleições serão organizadas pelo Tricolor Paulista.
Neste caso, Casares, de 64 anos, se tornaria o primeiro presidente da história do São Paulo a sofrer um impeachment. Ele assumiu a presidência em 2021 e estava em seu segundo mandato consecutivo.
Protestos e temporal na porta do Morumbis
Horas antes da votação que definiu o futuro de Julio Casares à frente do São Paulo, torcidas organizadas do clube marcaram presença no entorno do Morumbis para pedir a saída do presidente.
Membros da torcida organizada Independente protestaram contra a gestão de Casares. Faixas como “Fora Casares” e “Renuncia Casares” foram estendidas na Avenida Giovanni Gronchi.
“Muito respeito com a camisa tricolor… fora, Casares” e “Casares, quebra meu galho, pega suas coisas e vai pra casa do car****” foram algum dos gritos entoados em meio ao temporal que atingiu a região na tarde desta sexta.
Entenda a acusação contra Casares
A votação do Conselho Deliberativo contra Casares é baseada na denúncia tornada pública em dezembro do ano passado quanto a um suposto esquema de comercialização irregular de camarotes do Morumbis em dias de show.
Douglas Schwartzmann, diretor adjunto das categorias de base do São Paulo, e Mara Casares, diretora feminina, cultural e de eventos do clube (e ex-esposa do presidente Julio Casares), estariam envolvidos.
No áudio que revelou o suposto esquema, Schwartzmann admite que ele e outras pessoas teriam obtido ganhos financeiros com a prática.
Como situação chegou à Justiça
De acordo com o conteúdo dos áudios, o camarote 3A, identificado em documentos internos como “sala presidência”, teria sido repassado a uma intermediária, Rita de Cassia Adriana Prado, responsável por explorar comercialmente o espaço durante o show da cantora Shakira, em fevereiro.
Os ingressos chegaram a ser vendidos por até R$ 2,1 mil, com faturamento estimado em R$ 132 mil apenas nessa apresentação no estádio do São Paulo.
A situação ganhou contornos judiciais depois que Adriana ingressou com uma ação na 3ª Vara Cível de São Paulo contra Carolina Lima Cassemiro, da Cassemiro Eventos Ltda.
Adriana alega que Carolina reteve, sem autorização, um envelope com 60 ingressos do camarote no dia do show, após o pagamento parcial do valor combinado. O caso também foi registrado em boletim de ocorrência.

