O MPF (Ministério Público Federal) começou a investigar em setembro do ano passado acessos ilegais a seu sistema interno para a obtenção de informações sigilosas sobre o inquérito que apura fraudes no Banco Master. A investigação tramita na primeira instância.
O gabinete do procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitou auditoria interna para apurar o caso assim que surgiu a desconfiança no ano passado. A PGR (Procuradoria-Geral da República) e a PF (Polícia Federal) passaram a trocar informações sobre o acesso ilegal às investigações sigilosas que à época tramitavam na Justiça Federal em Brasília.
A PF informou para a PGR na ocasião que vinha investigando a possibilidade de Daniel Vorcaro e seu grupo terem tido acesso a informações sigilosas do processo contra eles. As suspeitas se confirmaram em novembro após a deflagração da primeira fase da Compliance Zero.
A operação, autorizada pelo juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, apreendeu, entre outros equipamentos, o celular do banqueiro. A análise do material extraído de um dos aparelhos de Vorcaro foi determinante para a conclusão dos investigadores.
As investigações revelam que o grupo contratado pelo banqueiro para influenciar as apurações, realizar atividades de vigilância, coleta de informações e monitoramento de adversários acessava dados do MPF, da Polícia Federal e até de organismos internacionais, como o FBI e a Interpol.
Vorcaro teve acesso antecipado a diligências da investigação, de acordo com registros localizados pela própria PF. O empresário teria inclusive feito anotações sobre autoridades e procedimentos policiais em curso.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, apontado como o coordenador operacional do grupo denominado “A Turma”, realizava consultas e extrações de dados em sistemas restritos, incluindo bases utilizadas por instituições de segurança pública e investigação policial.
O acesso, segundo a investigação, era feito por Mourão por meio da utilização de credenciais funcionais de outras pessoas, o que permitia obter informações protegidas por sigilo institucional.
“A partir dessa metodologia, de acordo com a autoridade policial, o investigado teria obtido acesso indevido aos sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal, e até mesmo de organismos internacionais, tais como FBI e Interpol”, escreveu o ministro André Mendonça ao autorizar a mais recente fase da operação sobre o caso.

