Teerã confirmou, nesta terça-feira (17), a morte de Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã.
O Conselho Supremo de Segurança Nacional do país anunciou a morte de Larijani em um comunicado divulgado na manhã de quarta-feira (18), horário local, ainda terça-feira, em Brasília, descrevendo-o como assassinado e “martirizado” após uma vida inteira dedicada ao serviço público.
A notícia surge após o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, ter afirmado que Larijani havia sido “eliminado” na noite de segunda-feira (16).
“O primeiro-ministro e eu instruímos as Forças de Defesa de Israel a continuar perseguindo a liderança do regime de terror e repressão no Irã”, disse Katz em comunicado divulgado pelo Ministério da Defesa.
O conselho iraniano afirmou que Larijani, que havia se destacado como uma das figuras mais importantes do Irã nos últimos meses, morreu juntamente com outras pessoas, incluindo seu filho e membros da equipe de segurança.
O comunicado elogiou a longa carreira política de Larijani, descrevendo-o como uma figura que, “até os últimos momentos de sua vida”, trabalhou pelo progresso do Irã e defendeu a união diante das ameaças externas.
Ali Larijani, nascido em 1958, comandou por uma década o sistema estatal de radiodifusão do Irã. Em 2004, deixou o cargo para assumir como conselheiro de segurança do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, a mais alta autoridade do país.
No ano seguinte, em 2005, foi nomeado secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, órgão responsável por auxiliar na formulação de políticas estratégicas, incluindo a área nuclear.
Como principal autoridade de segurança nacional e líder de facto do Irã, Ali Larijani havia se tornado o principal arquiteto da estratégia militar e diplomática do país desde o início do conflito com os EUA e Israel e um símbolo visível do regime e sua continuidade.
Ele chegou a participar de um comício público em Teerã na semana passada, apesar de ser um alvo prioritário para Israel desde que a guerra começou em 28 de fevereiro.
Durante as duas primeiras semanas do conflito, Larijani também foi prolífico nas redes sociais, provocando o presidente dos EUA, Donald Trump, e, na segunda-feira (17), alertando muçulmanos em todo o Golfo Pérsico: “Vocês sabem que a América não tem lealdade a vocês, e que Israel é seu inimigo. Parem por um momento e pensem em vocês mesmos e no futuro da região”.
Segundo analistas, a morte de Larijani priva a liderança iraniana de uma de suas vozes mais poderosas, e pode dificultar quaisquer negociações para encerrar a guerra.
Larijani havia se tornado o “líder de facto do Irã” em meio às turbulências das últimas semanas, especialmente nos dias seguintes à morte do antigo líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.
Ele tem sido um “verdadeiro integrante que passou décadas no centro do sistema, o que lhe deu credibilidade em diferentes partes da elite”, segundo Hamidreza Azizi, pesquisador visitante no Instituto Alemão para Assuntos Internacionais e de Segurança.
“A República Islâmica é projetada para sobreviver à perda de indivíduos, mas figuras com experiência tão diversificada não são fáceis de substituir”, afirmou Azizi.

