A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) anunciou na terça-feira, 14, a proibição de um artifício utilizado por Mercedes e Red Bull durante as sessões de classificação da Fórmula 1.
O truque envolvia o uso do sistema híbrido MGU-K. Normalmente, os carros precisam reduzir gradualmente a entrega de potência, cerca de 50 kW (67cv) por segundo, evitando quedas bruscas de energia. No entanto, as duas equipes encontraram uma forma de manter a potência máxima por mais tempo, obtendo uma vantagem momentânea estimada entre 50kW e 100kW (135cv).
Como funcionava a brecha
O regulamento de 2026 da F1 permite o desligamento do MGU-K em casos de emergência para proteger os componentes do motor. Ao acionar esse modo, o sistema ficava indisponível por 60 segundos.
A sacada de Mercedes e Red Bull foi explorar esse intervalo justamente após a volta lançada. Como os pilotos não precisam de desempenho máximo na volta de desaceleração, o impacto do bloqueio do sistema era irrelevante, enquanto o ganho na volta rápida era real.
A manobra foi inicialmente identificada por Ferrari e Audi no GP da Austrália e ganhou destaque no Japão. Andrea Kimi Antonelli e Max Verstappen enfrentaram perda significativa de potência após voltas rápidas, enquanto Alexander Albon chegou a parar na pista.
O cenário levantou preocupações de segurança, já que carros lentos na pista durante sessões rápidas poderiam causar acidentes, como o de Oliver Bearman em Suzuka.
Proibição e fiscalização
Diante da situação, a FIA atualizou o regulamento e deixou claro que o uso desse modo será permitido apenas em casos genuínos de falha ou emergência, e não como ferramenta de ganho de performance.
A entidade também vai manter o bloqueio de 60 segundos e acompanhar os dados das equipes para checar se o MGU-K foi desligado por um problema real. Caso não seja, a prática poderá ser considerada irregular.
Após a pausa no calendário, a Fórmula 1 retorna entre os dias 1º e 3 de maio, com o GP de Miami, que marca a retomada da temporada depois do adiamento das etapas do Bahrein e da Arábia Saudita devido à escalada da crise no Oriente Médico por causa dos conflitos entre Estados Unidos, Israel e Irã.

