A defesa do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, aguarda o fim do julgamento em plenário virtual da segunda turma do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a manutenção da prisão para pedir a transferência dele para a superintendência da PF (Polícia Federal). A medida é vista como uma das etapas para avançar em um acordo de delação premiada.
Até agora, o julgamento, que se encerra nesta sexta-feira (24) às 23h59, está 2 a 0 para a manutenção da prisão do ex-presidente do BRB. O ministro Luiz Fux seguiu o relator André Mendonça para manter a prisão. O ministro Dias Toffoli, que deixou a relatoria do caso por supostas ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro, se declarou impedido. Faltam votar os ministros Kassio Nunes Marques e Gilmar Mendes, presidente da turma.
Paulo Henrique Costa foi preso na quinta-feira (16), na quarta fase da Operação Compliance Zero da PF, e está detido no Complexo da Papuda. De acordo com a investigação, ele teria recebido R$ 140 milhões de Daniel Vorcaro para viabilizar a compra do Banco Master pelo BRB, instituição financeira controlada pelo governo do Distrito Federal.
O ex-presidente do BRB trocou a defesa na quarta-feira (22) e aumentou a expectativa por uma delação. O advogado Cleber Lopes Oliveira, que representa o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) em outras ações, foi substituído pelo criminalista Eugênio Aragão. Ele teve acesso aos autos nesta sexta-feira (24). O advogado e professor de direito penal Davi Tangerino também atuará no caso.
Segundo apurou a CNN, Costa já se reuniu com a equipe de Eugênio Aragão para definir a estratégia de defesa.
O ex-presidente do BRB aponta que repetirá o roteiro do dono do Banco Master. Após ser preso, Vorcaro trocou de advogados, pediu a transferência para a superintendência da PF e fechou um termo de confidencialidade para dar início à negociação da delação.
A proposta de colaboração de Costa acende o alerta nas defesas dos demais envolvidos. A avaliação é que o ex-presidente do BRB pode oferecer informações técnicas e avançar em detalhes de como ocorria o esquema de compra de carteiras fraudulentas do Master pelo BRB, além de apontar se atuou com aval de superiores.

