A sessão “Internacionalizar para o Brasil: Lições Práticas”, promovida pela Caixa Geral de
Depósitos (CGD) e pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira (CCILB), realizou-se
no dia 14 de abril, em Lisboa, com auditório lotado na Culturgest, reunindo empresas,
especialistas e representantes institucionais interessados em aprofundar oportunidades de
negócio com o Brasil.
Na abertura, o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira, Otacílio
Soares, defendeu que o atual contexto internacional reforça a importância da ligação entre
os dois países, afirmando que “a aproximação entre a União Europeia e o Mercosul ganha
um significado muito especial” e que, “dentro dessa relação, Portugal e Brasil podem e
devem assumir um papel particularmente relevante”.
O dirigente sustentou também que Portugal e Brasil são economias complementares, ligadas
“por uma história comum, por uma língua partilhada, por afinidades culturais profundas e,
cada vez mais, por interesses empresariais concretos”, acrescentando que o acordo entre a
União Europeia e o Mercosul “representa mais do que um avanço diplomático” e constitui
“uma oportunidade económica de primeira ordem”.
Otacílio Soares advertiu igualmente que “oportunidades só se transformam em negócios
quando existe preparação”, salientando que exportar “não é apenas ter produto”, mas
também “conhecer financiamento, enquadramento regulatório, despacho aduaneiro,
logística e capacidade de adaptação ao mercado de destino”.
Prosseguindo a intervenção, o responsável defendeu que o reforço da relação bilateral exige
“menos discurso abstrato e mais instrumentos concretos para as empresas”, bem como
“mais capacidade de transformar proximidade histórica em valor económico real”.
Otacílio Soares sublinhou também que “o mundo atual exige blocos mais conectados,
parceiros mais confiáveis e relações bilaterais com densidade estratégica”, considerando
que, neste quadro, “a ligação entre Europa e América do Sul ganha nova centralidade”.
Nesse sentido, afirmou que “a relação Portugal-Brasil, enquadrada pelo potencial do acordo
UE-Mercosul, pode ser uma das mais promissoras dessa nova fase”, defendendo uma maior
ambição estratégica entre os dois mercados.
A concluir, expressou o desejo de que a sessão pudesse “ajudar empresas a compreender
melhor o caminho, reduzir riscos, identificar oportunidades e agir com mais ambição num
mercado que, apesar da sua complexidade, continua a oferecer um enorme espaço para
quem chega bem preparado”.
O programa incluiu intervenções sobre Trade Finance, despacho aduaneiro, logística
internacional e enquadramento da internacionalização, reunindo contributos de entidades
financeiras, especialistas do setor e representantes institucionais.
Painéis reuniram lideranças
A sessão dedicada à internacionalização para o Brasil reuniu, a partir das 15h, um conjunto
de responsáveis institucionais e especialistas de diferentes áreas ligadas ao comércio
externo, num encontro que cruzou perspetivas da banca, diplomacia económica, logística e
experiência empresarial.
A abertura dos trabalhos contou com intervenções de Rodolfo Lavrador, em representação
da Caixa Geral de Depósitos, Otacílio Soares, pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-
Brasileira, e Joana Gaspar, da AICEP, num enquadramento inicial focado no reforço das
relações económicas entre Portugal e o Brasil.
No painel “Exportar Passo a Passo”, realizado às 15h15, participaram Alexandra Morais, da
Caixa Geral de Depósitos, com abordagem ao trade finance, José Júlio Roma de Andrade,
despachante oficial, que tratou das questões aduaneiras, Mário Silva, da Rangel Logística,
centrado na logística internacional, e novamente Joana Gaspar, da AICEP, com enfoque na
internacionalização empresarial.
A sessão incluiu ainda, pelas 16h30, a apresentação de um estudo de caso sobre
internacionalização para o Brasil, protagonizado por Gonçalo Rebelo de Almeida, do Grupo
Vila Galé, que partilhou o percurso da empresa, os obstáculos enfrentados e os resultados
obtidos no mercado brasileiro.
O programa encerrou com um momento de perguntas e respostas, que reuniu os
intervenientes dos vários painéis, seguindo-se um cocktail de networking entre participantes
e entidades presentes.

