Ao lado de Flávio Bolsonaro (PL), Tarcísio de Freitas (Republicanos) é lançado neste sábado (1º) candidato à reeleição ao governo de São Paulo. A candidatura é confirmada durante a convenção estadual do Republicanos de São Paulo, no Ginásio do Ibirapuera, na capital paulista.
O evento reúne integrantes do Republicanos e aliados. Entre eles estão o vice-governador Felício Ramuth (MDB), os pré-candidatos ao Senado André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), além do presidente do Republicanos, Marcos Pereira, e do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).
Além de levantar bandeiras relacionadas à pauta das mulheres, em seu discurso, Flávio Bolsonaro fez uma série de elogios a Tarcísio.
“O passo que você [Tarcísio] deu lá atrás é muito parecido com o passo que eu estou dando agora”, começou o pré-candidato à Presidência da República do PL.
“O brilhante técnico, o brilhante profissional, o grande engenheiro, a pessoa inteligente e correta chamada Tarcísio de Freitas. E foi assim que o presidente Bolsonaro chamou o Tarcísio e, em dez minutos, o Tarcísio tinha virado um dos ministros mais importantes do governo do presidente Bolsonaro”, acrescentou Flávio.
Tarcísio chega à disputa pela reeleição em 2026 com uma estratégia centrada na imagem de gestor e na continuidade dos projetos estaduais, enquanto mantém aberta a possibilidade de disputar a Presidência da República em 2030.
Durante sua fala, o atual governador destacou feitos de sua gestão e citou entre os temas que devem ter sua atenção em uma eventual reeleição, a questão da segurança pública, da saúde e da educação.
“Nós vamos para a vitória, vamos fazer a diferença. E se tem uma ideia que quero deixar muito claro, é que as pessoas vão continuar sendo o centro do que fazemos. São as pessoas que importam. Nós não governamos para estatística. Governamos para as pessoas. A gente não vive de promessa, mas de resultado”, afirmou.
Capital político
Ao longo dos últimos meses, Tarcísio tem repetido que seu foco é na administração paulista. Segundo apuração, aliados avaliam que uma nova vitória em São Paulo fortaleceria o capital político de Tarcísio e abriria portas para uma eventual candidatura ao Palácio do Planalto em 2030. A avaliação é de que um segundo mandato consolidaria a imagem de um gestor eficiente.
“O Tarcísio já tenta fazer isso há bastante tempo, né, de colar na imagem dele essa ideia de gestor eficiente, de cargo técnico”, avalia o cientista político Leonardo Paz Neves.
A estratégia também reduz o risco de desgaste em uma eleição presidencial marcada pela polarização entre os principais grupos políticos do país. Ao priorizar a pauta administrativa, Tarcísio busca dialogar com um eleitorado mais amplo, incluindo segmentos que valorizam resultados de gestão acima de disputas ideológicas.
Nos bastidores do Republicanos e de partidos aliados, a leitura é que um segundo mandato bem avaliado colocaria Tarcísio em posição privilegiada para liderar a eleição presidencial de 2030, quando o cenário político pode vir a passar por uma nova reorganização.
“Eu acho que ele vem com muita força para a próxima legislatura de 2030, eu acho que ele é já é um pré-candidato desde agora para essa eleição, especialmente se ficar duas vezes à frente do governo de São Paulo”, opina o especialista.
A leitura é compartilhada pelos cientistas políticos Leandro Consentino e Bruno Bolognesi, que avaliam a imagem de Tarcísio como um “gestor de obras” afinado com o campo político da direita.
“Ele está buscando consolidar essa questão de gestor, mas também de um gestor mais afinado com a direita e sem dúvida nenhuma mirando 2030. Governadores de São Paulo, sobretudo em segundo mandato, sempre buscam projetar-se para o Planalto, não vai ser diferente com ele”, observa Consentino.
“É uma veia que ele está tentando pegar, porque a imagem do governador de São Paulo sempre foi essa. [José] Serra, [Geraldo] Alckmin – talvez o desvio quando o PT entra –, mas é sempre essa imagem de um grande gestor”, complementa Bolognesi.

