No mercado imobiliário mundial, poucas marcas conseguiram construir uma presença tão forte e reconhecida quanto a RE/MAX. Criada em 1973, em Denver, no Colorado, Estados Unidos, a empresa nasceu com uma proposta que, à época, era considerada inovadora: dar ao corretor de imóveis maior autonomia para desenvolver seu negócio, ao mesmo tempo em que oferecia uma marca forte, treinamento, tecnologia e uma ampla rede de relacionamento.
Mais de cinco décadas depois, o resultado dessa estratégia impressiona. Segundo dados divulgados pela própria RE/MAX, a rede conta atualmente com mais de 145 mil agentes, cerca de 8.500 escritórios e presença em mais de 120 países e territórios. A empresa afirma que “ninguém no mundo vende mais imóveis que a RE/MAX”, considerando o número de transações residenciais realizadas pelos seus profissionais.
Mas o que explica essa liderança?
Uma das respostas está no próprio modelo de negócio. Ao contrário de uma imobiliária tradicional, em que o corretor normalmente ocupa uma posição mais dependente da estrutura da empresa, a RE/MAX construiu sua cultura em torno do empreendedorismo do profissional. O corretor é estimulado a construir sua própria marca, sua carteira de clientes e seu relacionamento com o mercado, utilizando a estrutura e a força de uma das marcas imobiliárias mais conhecidas do mundo.
Essa combinação entre independência e estrutura criou uma poderosa rede de profissionais. E, no mercado imobiliário, rede significa negócios.
Imagine, por exemplo, um cliente de Manaus que deseja vender um imóvel e possui um potencial comprador em São Paulo, Lisboa, Miami ou Madrid. Dentro de uma rede global, a possibilidade de encontrar um profissional parceiro no destino do comprador é muito maior. O negócio deixa de depender exclusivamente dos contatos individuais do corretor e passa a contar com uma plataforma internacional de relacionamento.
Esse conceito é particularmente importante em um mundo no qual o mercado imobiliário se tornou cada vez mais globalizado. Investidores compram imóveis em outras cidades, estados e países; brasileiros vivem no exterior e continuam investindo no Brasil; estrangeiros procuram imóveis em destinos turísticos; empresas transferem executivos e famílias entre diferentes mercados.
A RE/MAX percebeu essa transformação há décadas e construiu sua expansão sobre ela.
Os números ajudam a dimensionar esse fenômeno. No balanço global de 2024, a rede registrou 146.627 agentes e mais de 1,5 milhão de “transaction sides”, considerando transações residenciais e comerciais. A companhia também contabilizou presença em mais de 110 países e territórios naquele levantamento.
Outro aspecto importante é a experiência dos profissionais. No mesmo levantamento de 2024, os agentes da rede mundial apresentavam média de 10,6 anos de experiência no mercado imobiliário. Mais do que quantidade, isso demonstra a importância atribuída à profissionalização do corretor.
A força da marca também representa uma vantagem competitiva. No setor imobiliário, confiança é um dos ativos mais importantes. Comprar ou vender um imóvel envolve valores elevados, decisões emocionais e, muitas vezes, o patrimônio de uma vida inteira. Por isso, o cliente procura não apenas alguém que anuncie um imóvel, mas um profissional capaz de orientar, negociar, analisar riscos e conduzir o processo até o fechamento.
É justamente aí que uma marca global pode fazer diferença.
A tecnologia também passou a ocupar papel central. A plataforma global da RE/MAX permite conectar imóveis, compradores e profissionais de diferentes mercados. Em 2024, o portal global da empresa registrou centenas de milhares de visualizações mensais de anúncios e recebeu acessos provenientes de mais de 200 países e territórios ao longo do ano.
Entretanto, é importante compreender que ser a maior rede não significa necessariamente que todas as operações sejam iguais. A RE/MAX funciona por meio de franquias e escritórios independentes. Isso significa que a experiência do cliente pode variar conforme a unidade e, principalmente, conforme o profissional escolhido.
Essa característica reforça uma conclusão importante: no mercado imobiliário, a marca abre portas, mas é o corretor quem constrói o relacionamento.
E talvez esteja justamente aí uma das maiores lições da história da RE/MAX. A empresa não se tornou uma potência mundial apenas por vender imóveis. Ela criou um ecossistema no qual milhares de profissionais podem desenvolver seus próprios negócios utilizando uma marca internacional, ferramentas, treinamento e, sobretudo, uma rede de relacionamento.
O momento atual acrescenta ainda um novo capítulo à história da companhia. Em abril de 2026, a RE/MAX Holdings anunciou um acordo para ser adquirida pela The Real Brokerage, numa operação que pretende combinar a marca global e a rede de franquias da RE/MAX com uma plataforma tecnológica baseada em inteligência artificial. A operação anunciada reúne mais de 180 mil profissionais no grupo combinado, embora a conclusão da transação esteja sujeita às condições previstas no acordo.
Para o mercado imobiliário, essa transformação é significativa. O futuro tende a combinar três elementos: relacionamento humano, força de marca e tecnologia.
E a RE/MAX está posicionada justamente nessa interseção.
No fim das contas, a grande vantagem competitiva da empresa não está apenas no famoso balão vermelho, presente em milhares de cidades do mundo. Está na capacidade de transformar milhares de corretores independentes em uma rede global de negócios.
Para quem compra, vende ou investe em imóveis, isso significa acesso a conhecimento local combinado com alcance internacional.
Para o corretor, significa algo ainda mais importante: a possibilidade de ser empreendedor de seu próprio negócio sem precisar estar sozinho.
É essa combinação que ajudou a transformar uma pequena imobiliária fundada no Colorado, em 1973, em uma das maiores redes imobiliárias do planeta — e, segundo a própria companhia, na rede que mais vende imóveis no mundo quando o critério utilizado é o número de transações residenciais.


