Cleusimar de Jesus Cardoso, mãe da ex-sinhazinha do Boi Garantido Djidja Cardoso, deixou o presídio em Manaus nesta terça-feira (29), após conseguir na Justiça a progressão do regime fechado para o semiaberto. Ela foi recebida por amigos e funcionários do salão de beleza Belle Femme, que administrava ao lado da filha.
A decisão que autorizou a mudança de regime foi proferida na segunda-feira (28) pela juíza Sabrina Cumba Ferreira, da 2ª Vara de Execução Penal de Manaus. Cleusimar passou a usar tornozeleira eletrônica e deverá cumprir regras determinadas pela Justiça.
A recepção no salão foi organizada, segundo a assessoria do estabelecimento, como um momento reservado à retomada da convivência familiar e ao acolhimento de Cleusimar nesta nova etapa.
Em um vídeo publicado nas redes sociais do Belle Femme, funcionários aparecem recebendo a empresária. Durante a chegada, um deles afirma: “Nós te amamos, que bom que você está livre!”.
Ao chegar ao salão, Cleusimar disse que estava bem e declarou amor aos funcionários. Questionada se pretende reassumir a direção do estabelecimento, respondeu que sim.
A maquiadora Claudiele Santos, que também foi investigada no caso envolvendo a família de Djidja, afirmou que o retorno de Cleusimar representa um novo ciclo para a empresária e os funcionários do salão.
“Representa um novo começo, um novo ciclo da história dela. Um novo ciclo da família Belle Femme. Um novo ciclo de toda essa história que repercutiu nacionalmente e internacionalmente”, afirmou.
Claudiele também negou as acusações de existência de uma seita e de tráfico de drogas relacionadas ao caso. Segundo ela, a liberdade de Cleusimar demonstra que a Justiça está reconhecendo a versão defendida pelos envolvidos.
“A grande verdade é que não existe seita, que não existe crime nenhum, que não existe tráfico de droga, os crimes que nós fomos acusados”, declarou.
Durante o período em que Cleusimar esteve presa, a maquiadora disse que manteve contato com ela por meio dos advogados. Segundo Claudiele, informações sobre o funcionamento do salão eram repassadas à empresária e ao filho dela.
Outro funcionário, o cabeleireiro Felipe Benjamin, também comemorou a saída de Cleusimar. Ele afirmou conhecer a empresária há anos e destacou a importância do salão para os trabalhadores.
“É muita alegria de saber que estava presa por injusta causa. A gente fica muito feliz de hoje receber ela aqui no salão dela, na empresa dela, que emprega mais de 100 pessoas”, disse.
Um maquiador que preferiu não se identificar também falou sobre a volta da empresária e agradeceu às pessoas que ajudaram a manter o estabelecimento durante o período em que ela esteve presa.
Regras do regime semiaberto
Com a progressão para o semiaberto, Cleusimar deverá cumprir uma série de condições determinadas pela Justiça do Amazonas.
De segunda a sexta-feira, ela terá que permanecer em casa entre 22h e 6h. Nesse intervalo, poderá sair apenas para trabalhar, estudar ou realizar tratamento de saúde previamente informado à Central de Monitoramento.
Nos fins de semana, feriados e dias de folga, o recolhimento deverá ser integral na residência cadastrada.
A empresária também não poderá mudar de endereço ou deixar Manaus sem autorização judicial. Ela deverá comparecer quando for convocada pelas autoridades e está proibida de portar armas, consumir bebidas alcoólicas ou usar drogas, além de não poder cometer novos crimes.
A Justiça reconheceu ainda 12 dias de remição da pena por atividades realizadas durante o período de prisão. Foram quatro dias pela leitura de um livro, sete dias referentes a 21 dias trabalhados e um dia pela participação no Projeto Remicine.
As atividades foram realizadas em agosto de 2026. A decisão também considerou o bom comportamento de Cleusimar no sistema prisional e concluiu que ela preenchia os requisitos para a progressão de regime.
Condenação no caso
Cleusimar foi condenada em 22 de julho de 2026, junto com outras seis pessoas, em uma nova sentença relacionada às investigações da Operação Mandrágora.
Ela recebeu pena de 10 anos e 11 meses de prisão por crimes relacionados ao tráfico de cetamina em Manaus. Segundo a sentença, Cleusimar era apontada como uma das principais articuladoras do grupo investigado.
Também foram condenados Ademar Farias Cardoso Neto, irmão de Djidja, José Máximo Silva de Oliveira, Hatus Moraes Silveira, Verônica da Costa Seixas, Sávio Soares Pereira e Bruno Roberto da Silva Lima. As penas variaram de oito anos e seis meses a 10 anos e 11 meses.
Conforme a sentença, o grupo utilizava a rede de salões Belle Femme e o grupo religioso “Pai, Mãe, Vida” para distribuir e aplicar cetamina. A substância, utilizada como anestésico, teria sido obtida de forma ilegal e usada em rituais.
Emicley Araújo Freitas, Claudiele Santos da Silva e Marlisson Vasconcelos Dantas foram absolvidos por falta de provas suficientes.
Morte de Djidja
Djidja Cardoso foi encontrada morta em Manaus em 28 de maio de 2024. Ela ficou conhecida nacionalmente por interpretar a sinhazinha do Boi Garantido durante cinco anos no Festival de Parintins.
A investigação apontou como principal linha a possibilidade de uma overdose de cetamina. Segundo informações citadas no inquérito, foram encontrados frascos da substância enterrados no quintal da casa da ex-sinhazinha, além de caixas de cetamina, seringas, frascos, bulas e cartelas de medicamentos.
Um laudo preliminar apontou que Djidja sofreu um edema cerebral que comprometeu o funcionamento do coração e da respiração. O documento, porém, não indicou a causa do edema.
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