Nesta eleição fiquei com a impressão de que, neste pleito independentemente do resultado, todos perderíamos e todos perdemos alguma coisa! O país polarizado encarou as eleições como uma disputa de times de futebol… de forma apaixonada e sem análise real de direcionamento para as necessidades do país!
Hoje produzimos “eruditos de redes sociais”, consumimos opiniões prontas, compartilhamos certezas e acredito que não dedicamos o mesmo tempo de tela à leitura, ao aprofundamento, a reflexão e ao questionamento. Seguimos ideias de outras pessoas como verdades, provavelmente sem nunca nos perguntarmos como chegamos às próprias certezas. Nietzsche, em Humano, demasiado humano, traz que “as convicções são inimigas da verdade mais perigosas que as mentiras”. Com esta colocação podemos pensar que o mentiroso esconde uma verdade que reconhece, mas o convicto, quando não aceita mais se questionar, torna-se refém de si mesmo, e sua convicção acaba sendo seu algoz! Será que hoje há mais medo da mentira do que das próprias convicções?
Acredito que um de nossos maiores problemas é o pouco estímulo e espaço à formação cultural e ao conhecimento histórico e filosófico, que ajudam a pensar, fazer o contraditório e chegar a uma conclusão própria. Aceitamos convicções e mentiras alheias sem construir um fundamento pessoal e intelectual sem um discernimento concreto e adequado. Kant, em resposta a pergunta, “o que é esclarecimento?”, fazendo um chamado a coragem de usar o próprio entendimento sem a direção de outros. Hoje esse entendimento parece cada vez mais distante e terceirizado…
A relação brasileira com a política hoje me parece marcada pela necessidade de defender a própria imagem, aparentemente estamos recorremos a negação, projeção e racionalização… tanto entre os “vitoriosos” como entre os “derrotados”. Freud, em Psicologia das massas e análise do eu, descreveu como o líder pode ocupar o lugar do ideal do eu, fortalecendo assim a identificação entre os integrantes de um grupo. Essa ideia me faz pensar como defender um candidato pode se tornar uma defesa de si mesmo, e questioná-lo pode levar a sensação de ameaça à própria identidade.
A discussão pública é empobrecida quando buscamos apenas argumentos para vencer, sem disposição para compreender, aprender ou até mudar… Estamos perdidos, sem bússola, quando a necessidade de defender um lado é mais importante que a capacidade de pensar o país e questionar as próprias certezas!
Considero que agora é momento de ter humildade, olhar além dos lados e pensar no Brasil, no futuro, em nós como nação! Buscar a união e o entendimento, não permitir que divergências eleitorais destruam amizades e laços familiares. Tanto os “vitoriosos” quanto os que teoricamente “perderam” precisam lutar juntos e olhar por um país melhor para as crianças, por mais educação, cultura e formação de uma sociedade com capacidade crítica. Temos que buscar criticar com fundamento, inclusive naqueles em quem votamos, identificar e reconhecer seus equívocos e cobrar de quem está no poder.
Quem foi eleito governa para todos, e desejar o fracasso do país pela derrota de um lado é com toda certeza comprometer o futuro de todos. Devemos e podemos discordar e, ainda assim, buscar juntos o melhor para o Brasil!
Na democracia, o futuro deve ser uma escolha coletiva, mas é muito triste quando ela perde a capacidade de transformar a realidade.
Não permitamos que a disputa seja um impeditivo para construirmos este futuro.

