A intenção de consumo das famílias amazonenses cresceu 0,6% em agosto e alcançou 128,9 pontos, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O resultado mantém o indicador acima dos 100 pontos, considerado patamar de satisfação, e representa o segundo mês consecutivo de alta.
Na comparação com agosto de 2025, o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) avançou 9,2%, com todos os componentes apresentando variações positivas. O desempenho aponta para uma percepção mais favorável dos consumidores sobre as condições de consumo, apesar de sinais de cautela em relação à renda e à compra de bens de maior valor.
Entre os principais fatores que contribuíram para o resultado mensal está o Acesso ao Crédito, que avançou 6,6%, seguido pela Perspectiva de Consumo, com alta de 4,6%. Por outro lado, a Renda Atual recuou 1,4%, enquanto o Momento para Compra de Duráveis caiu 2,8%.
Expectativa de consumo melhora
A Perspectiva de Consumo foi um dos destaques do levantamento. Na comparação anual, o indicador cresceu 0,8% em agosto, revertendo a queda de 3,5% registrada em julho. O resultado indica uma melhora na percepção das famílias sobre a capacidade de consumo nos próximos meses.
O movimento contrasta com o cenário nacional, onde a Perspectiva de Consumo recuou 0,2% em agosto, após quatro meses consecutivos de crescimento.
O mercado de trabalho também contribuiu para o desempenho do indicador no Amazonas. O componente Emprego Atual cresceu 1,2% no mês e acumulou alta de 11,8% em relação a agosto do ano passado.
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que o Amazonas acumulou, no primeiro semestre de 2026, saldo líquido de 12.377 contratações, alta de 2,2% em relação ao início do ano. No mesmo período, o resultado nacional apresentou expansão de 2%.
Apesar da melhora na percepção sobre o emprego atual, a Perspectiva Profissional recuou 0,9% em agosto, no segundo mês consecutivo de queda. No acumulado de 12 meses, entretanto, o componente ainda registra alta de 11,4%.
Renda e compra de duráveis
A Renda Atual também apresentou retração em agosto. Após crescer 0,5% em julho, o indicador caiu 1,4% no mês. Na comparação anual, porém, permanece positivo, com alta de 5%.
O Momento para Compra de Duráveis teve a maior queda mensal, de 2,8%, mantendo uma sequência de três meses de retração. Apesar disso, o componente está 21,3% acima do nível registrado em agosto de 2025.
O resultado indica que, embora as famílias estejam mais cautelosas para comprar bens duráveis em relação ao mês anterior, a percepção sobre as condições de aquisição permanece mais favorável do que há um ano.
Diferenças entre faixas de renda
As famílias amazonenses com renda de até dez salários mínimos registraram crescimento anual de 9,2% no ICF. Entre aquelas com renda superior a dez salários mínimos, a alta foi de 9,6%.
Apesar da proximidade entre os resultados, os fatores que impulsionaram cada grupo foram diferentes. Entre as famílias de maior renda, os principais destaques foram a Perspectiva Profissional, que avançou 14,5%, e a Perspectiva de Consumo, com alta de 22,2%.
No grupo de menor renda, o Momento para Compra de Duráveis cresceu 25% na comparação anual, indicando a importância das condições de crédito e aquisição para esse segmento.
Na comparação mensal, a intenção de consumo aumentou nos dois grupos. Entre as famílias com mais de dez salários mínimos, o avanço foi de 0,9%, após dois meses de queda. Já entre as famílias de menor renda, houve alta de 0,5%, a segunda consecutiva.
Nesse último grupo, os principais resultados positivos foram registrados no Acesso ao Crédito, que cresceu 7%, e na Perspectiva de Consumo, com alta de 2,8%. Em contrapartida, a Renda Atual recuou 1,5% e o Momento para Compra de Duráveis caiu 3,3%.
Entre as famílias de maior renda, o avanço mensal foi sustentado principalmente pela Perspectiva de Consumo, que cresceu 6%, e pelo Nível de Consumo Atual, com alta de 2%. A Renda Atual, por outro lado, recuou 1,8%, enquanto a Perspectiva Profissional caiu 1,3%.
Os dados mostram diferenças na forma como os grupos avaliam o consumo. Para as famílias de menor renda, o acesso ao crédito aparece como um dos principais fatores de sustentação da intenção de consumo. Já entre as famílias de maior renda, a percepção sobre o consumo futuro exerce maior influência sobre o resultado.

