A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) publicou, nesta terça-feira (14), o relatório de abril para a safra 2024/2025. Segundo a associação, o Brasil exportou 347,8 mil toneladas, em março de 2026, uma receita de US$ 530,1 milhões. O volume exportado foi 45,4% maior que no mesmo mês do ano anterior.
Dentre os destinos, a China foi o principal consumidor do algodão brasileiro, em março de 2026. O País asiático importou 30% do total embarcado. China e Índia foram os destaques positivos do mês, somados, aumentaram em 125,3 mil toneladas o volume embarcado do produto nacional, na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Bangladesh, Vietnã e Turquia são outros parceiros de destaque para a pluma brasileira. Por outro lado, o destaque negativo foram as exportações para o Paquistão, os embarques recuaram em 19,1 mil toneladas, em comparação a março de 2025.
Para Marcio Portocarrero, diretor-executivo da Abrapa, o país consolida parceiros comerciais sólidos. “A China mantém um volume histórico, enquanto Índia e Bangladesh aumentam sua demanda pelo algodão brasileiro. Esperamos que a índia cresça ainda mais, por sua indústria têxtil poderosa e os recentes acordos comerciais para a parceria com o Brasil”, disse à CNN Brasil.
No acumulado de agosto de 2025 a março de 2026, o país exportou 2340,3 mil toneladas e totalizou uma receita de US$ 3,67 milhões. O volume embarcado é recorde nos oito primeiros meses do ano comercial, e 9,2% maior ao registrado no mesmo período em 2024/2025. Nesse período, a China se manteve como o principal destino das exportações e representou 29% do total embarcado.
O diretor acredita que os volumes se estabeleçam mês a mês. “Março não é um mês de grandes embarques e ainda assim conseguimos registrar um volume significativo. A constância no mercado e segurança do comprador pela pluma é o principal fator para as linhas de produção indústrial ao redor do mundo. Qualidade e sustentabilidade também influenciam muito na escolha pelo algodão do Brasil”, destacou.
Com o fechamento do ano comercial 2024/2025, o Brasil confirmou sua posição como maior exportador global no ano, pela segunda vez na história. Para 2025/2026, as exportações são projetadas em 3,15 milhões de toneladas, alta de 11,1% com relação ao último ano comercial.
Balança comercial
O superávit da balança comercial brasileira do algodão foi de US$ 3,67 bilhões entre agosto de 2025 a março de 2026. O valor é 1,6% menor que no mesmo período do ano passado.
No acumulado de agosto de 2025 a março de 2026, as importações nacionais de algodão aumentaram em 2,3%, em relação aos mesmos meses em 2024, totalizando 629 toneladas, que equivalem a US$ 1,7 milhão de aquisições internacionais. Os EUA foram os principais fornecedores com 38% do total adquirido.
Em março de 2026, o indicador Cepea/Esalq encerrou o mês cotado em 75,46 centavos de dólar por libra-peso, alta de 10,7% em comparação com o início do mês. Em comparação com o final de março de 2024, as cotações nacionais (em dólares) acumularam alta de 2,1%. Na Bolsa de Nova York, o contrato com vencimento em maio de 2026 encerrou o mês cotado em 70,0 US$ cents/libra-peso, uma alta de 8,4% no mês.
Projeções de safra
A produção é projetada em 3,82 milhões de toneladas de pluma, queda de 10% com relação ao ciclo 2024/2025. A estimativa é de 2,05 milhões de hectares para a área plantada, uma queda de 5,5%, ante a safra passada.
A projeção de área plantada da Abrapa é levemente superior à divulgada pela Conab em abril. A Conab projeta a produção de pluma da safra 24/25 em 3,79 milhões de toneladas e estima uma área plantada de algodão em 2,01 milhões de hectares.
Portocarrero destaca que a redução da área plantada representa um movimento estratégico “A redução de área não significa perda alguma, pois o desempenho da produtividade tem sido favorável. A tendência de oferta do produto também aumenta a expectativa de compradores por um preço ideal e estratégico. Essa oferta ajustada ajuda em termos de competitividade”, concluiu.
Com a semeadura da safra 2025/2026 finalizada no país, a associação estima que 70% das lavouras brasileiras de algodão estão em formação de maçãs, período crítico para definição das produtividades de campo.
No sul do estado do Mato Grosso, a menor chuva e o avanço para o fim do período chuvoso já acendem alerta para a disponibilidade hídrica, especialmente em áreas de segunda safra e semeaduras tardias. Na Bahia, a chuva levou a perdas do baixeiro no algodão plantado mais cedo. Ainda assim, a expectativa de produtividade continua semelhante à da safra passada.
Com a produção e exportações projetadas, os estoques finais projetados para julho de 2026 são de 880 mil toneladas, alta de 381 mil toneladas com relação a julho de 2025. O USDA estima estoques mundiais de 16,77 milhões de toneladas para 2025/2026, alta de 4,0% no comparativo com o fechamento da safra 2024/25.
De acordo com o relatório mensal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção global está estimada em 26,53 milhões de toneladas, uma alta de 2,1%, em comparação a 2024/2025. Dentre os maiores produtores mundiais, é projetada alta na oferta chinesa (+828 mil ton) e brasileira (+545 mil toneladas).
O consumo global foi projetado em 25,94 milhões de toneladas, leve queda de 0,2% em comparação com a safra passada. A China permanece como o maior consumidor mundial, com uma previsão de alta de 2,6% no consumo de algodão no país para 2025/2026.

