O Ibovespa retomou o fôlego e fechou acima de 198 mil pontos pela primeira vez nesta segunda-feira (13), após Donald Trump afirmar que o Irã quer fazer um acordo. Ao mesmo tempo, o dólar encerrou o dia abaixo de R$ 5, na menor cotação desde março de 2024.
A alta da bolsa foi sustentada principalmente pelo avanço das blue chips Vale e Petrobras, que seguem amparadas pelo fluxo de recursos estrangeiros e endossadas pelo avanço de commodities como o minério de ferro e o petróleo no exterior.
O Ibovespa fechou em alta de 0,34%, aos 198.000,71 pontos.
O principal índice da bolsa marcou 198.173,39 pontos na máxima do dia, novo topo intradia. Na mínima, chegou a 196.222,86 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$ 29,7 bilhões antes dos ajustes finais.Play Video
Já o dólar à vista fechou em queda de 0,25%, cotado a R$ 4,998 na venda – menor cotação desde 27 de março de 2024, quando atingiu R$ 4,9805.
O dólar perdeu força no Brasil e virou para o território negativo, passando a ser negociado abaixo dos R$ 5,00 durante a tarde.
Os investidores se apegaram à esperança de um acordo, o que fez os ativos brasileiros ganharem força, incluindo o real em relação ao dólar. No exterior, a moeda norte-americana também exibia perdas ante boa parte das demais divisas de países emergentes.
No início da tarde, Trump disse que o Irã havia “ligado esta manhã” e quer “eles gostariam de fechar um acordo”. O presidente dos Estados Unidos também afirmou que não aceitará nenhum acordo que permita que Teerã tenha uma arma nuclear.
“A despeito do começo de dia ruim, bolsa para baixo e dólar para cima, o mercado deu uma bela virada em linha com Trump”, comentou Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital.
Diante do cenário ainda volátil no exterior, a avaliação de que, dentro dos mercados emergentes, a América Latina é um porto seguro e, dentro da América Latina, o Brasil é o mais bem posicionado, segue apoiando fluxo de capital externo na bolsa paulista.
De acordo com dados da B3, abril registra uma entrada líquida de R$ 11,55 bilhões até o dia 9, ampliando o saldo positivo no ano para quase R$ 65 bilhões, em números que excluem ofertas de ações (IPOs e follow-ons).
“O Ibovespa segue na tendência de alta rumo aos 200 mil pontos”, afirmaram analistas do Itaú BBA no relatório Diário do Grafista nesta segunda-feira. “Sob olhar de médio prazo, começamos a monitorar o próximo objetivo em 250.000 pontos.”
O Ibovespa vinha de nove pregões seguidos fechando com sinal positivo, sendo que na última sexta-feira encerrou acima dos 197 mil pontos pela primeira vez.
Mais cedo, os agentes financeiros repercutiram o fracasso nas negociações entre Estados Unidos e Irã no fim de semana, o que fez o preço do petróleo disparar no mercado internacional.
Autoridades dos EUA e do Irã não chegaram a um acordo em conversas do fim de semana em Islamabad, no Paquistão, que buscavam encontrar um caminho para encerrar uma guerra que começou no final de fevereiro, com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã.
Na sequência, Trump disse que a Marinha dos EUA deveria a bloquear o Estreito de Ormuz, por onde passa normalmente um quinto do petróleo do mundo, colocando em risco um frágil cessar-fogo de duas semanas. Os preços do barril do petróleo voltaram ao patamar de US$ 100, mas desaceleraram a alta após falas do presidente norte-americano.
De acordo com analistas do BB Investimentos, as expectativas em torno de um cessar-fogo seguido de negociações para o fim do conflito no Oriente Médio aqueceram os mercados e fizeram o Ibovespa renovar seu recorde histórico na semana passada.
“Esse desempenho desloca os próximos objetivos de alta do índice para regiões acima dos 200 mil pontos caso o Ibovespa consiga superar essa barreira”, afirmaram em análise técnica semanal do índice enviada a clientes.
No cenário doméstico, o mercado financeiro aumentou a projeção para a inflação do país para 4,71% nessa semana, de acordo com dados do Boletim Focus. A alta é a 5ª consecutiva desde o início de 2026.
Boletim Focus
O mercado financeiro aumentou a projeção para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação do país, em 0,35 p.p. (ponto percentual), para 4,71% nessa semana. A alta é a 5ª consecutiva desde o início de 2026.
A informação, que foi divulgada pelo relatório Focus do BC (Banco Central) nesta segunda-feira (13), superou o teto da meta em meio às preocupações decorrentes da guerra no Oriente Médio, de acordo com a pesquisa divulgada pela instituição, embora não tenha havido mudança na perspectiva para os juros ao final do ano.
Para 2027 e 2028, a estimativa subiu para 3,91% e se manteve em 3,60%, respectivamente, de acordo com a divulgação.
Nessa semana, o realtório também baixou a expectativa para o preço do Câmbio, na publicação o mercado apurou que a moeda deve encerrar o ano em R$ 5,37. Nos proximos dois anos, a projeção também apresentou queda para R$ 5,40 e R$ 5,46, nessa ordem.
Enquanto isso, as projeções para o crescimento interno do país e para a taxa básica de juros ficaram alinhadas com as expectativas divulgadas na última semana. Para o mercado, o PIB (Produto Interno Bruto) e a Selic devem encerrar 2026 em um patamar de 1,85% e 12,50%, respectivamente.

