Raúl Castro, ex-presidente de Cuba, foi acusado criminalmente nos Estados Unidos, informou nesta quarta-feira (20) um alto funcionário do governo de Donald Trump à agência Reuters.
Os detalhes da acusação ainda não foram divulgados publicamente, mas ele estaria baseado em um caso de 1996, quando jatos cubanos abateram aviões operados por um grupo de exilados cubanos.
A medida é tomada em um momento em que o presidente dos EUA pressiona por uma mudança de regime em Cuba. Historicamente, acusações de líderes estrangeiros pelos EUA são raros.
O governo americano impôs um tipo de bloqueio à ilha, ameaçando com sanções os países que fornecem combustível. Com isso, houve mais apagões, na pior crise em décadas.
Castro, de 94 anos, foi ministro da Defesa de Cuba antes de assumir a Presidência em 2008, após a doença de seu irmão, Fidel.
Raúl deixou a Presidência em 2018, dois anos após a morte do irmão, mas continua sendo uma figura poderosa na política cubana.
O governo cubano não comentou diretamente sobre a acusação, embora o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, tenha expressado que não devem mudar de rota.
“Apesar do embargo (dos EUA), das sanções e das ameaças de uso da força, Cuba continua em um caminho de soberania rumo ao seu desenvolvimento socialista”, disse Rodríguez.
O Ministério das Relações Exteriores de Cuba não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.
Acusação estaria relacionada a aviões abatidos
As acusações contra Raúl Castro devem ser baseadas em um caso de 1996, no qual jatos cubanos abateram aviões operados por um grupo de exilados cubanos, disse à Reuters, sob condição de anonimato, um funcionário do Departamento de Justiça dos EUA.
O escritório do Procurador dos EUA em Miami planeja realizar um evento a partir das 14h (horário de Brasília) para homenagear as vítimas do caso.
O Departamento de Justiça informou na terça-feira (19) que fará um anúncio em conjunto com a cerimônia, mas não forneceu detalhes.
Em uma mensagem em vídeo dirigida ao povo cubano na manhã desta quarta, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, se ofereceu para criar uma nova relação entre os dois países.
Os pais de Rubio eram imigrantes cubanos que foram aos Estados Unidos. Segundo o secretário, a Casa Branca poderia fornecer US$ 100 milhões em ajuda. Falando em espanhol, disse que os alimentos e medicamentos devem ser distribuídos pela Igreja Católica ou por outros grupos de caridade confiáveis.
Ele culpou os líderes cubanos pela escassez de eletricidade, alimentos e combustível.
Em resposta, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, chamou Rubio de “porta-voz de interesses corruptos e vingativos”, mas não descartou aceitar a ajuda.
“Ele continua falando sobre um pacote de ajuda de 100 milhões de dólares que Cuba não rejeitou, mas cujo cinismo é evidente para qualquer um diante do efeito devastador do bloqueio econômico e do estrangulamento energético”, escreveu Rodríguez em uma publicação no X.
Importância de Castro e ameaça dos EUA
Nascido em 1931, Raúl Castro foi uma figura-chave, ao lado de seu irmão mais velho, na guerrilha que derrubou Fulgencio Batista, que era apoiado pelos EUA.
Ele ajudou a derrotar a invasão da Baía dos Porcos, organizada pelas forças americanas, em 1961.
A abertura do processo criminal contra um adversário dos EUA, como Castro, lembra a acusação de tráfico de drogas contra Nicolás Maduro, que está preso.
O governo Trump citou a acusação contra o ditador venezuelano como justificativa para a incursão militar em Caracas, em 3 de janeiro, na qual Maduro foi capturado e levado a Nova York para responder às acusações. Ele se declarou inocente.
Trump afirma que o governo de Cuba é corrupto e, em março, ameaçou que a ilha “será a próxima” depois da Venezuela.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, disse na segunda-feira (18) que qualquer ação militar dos EUA levaria a um “banho de sangue” e que a ilha não representa uma ameaça.

