Os EUA e o Hamas realizaram suas primeiras conversas diretas desde o início do cessar-fogo em Gaza, como parte dos esforços para avançar no frágil acordo mediado pelos EUA, disseram duas fontes do Hamas à CNN.
Uma delegação liderada pelo conselheiro sênior dos EUA, Aryeh Lightstone, teve uma reunião com o negociador-chefe do Hamas, Khalil al-Hayya, no Egito, na noite de terça-feira (14), de acordo com as fontes.
Lightstone estava acompanhado por Nickolay Mladenov, alto representante para Gaza do Conselho de Paz, iniciativa dos EUA, disseram autoridades. A CNN entrou em contato com o Departamento de Estado para obter comentários.
Al-Hayya, que sobreviveu a uma tentativa de assassinato israelense na capital do Catar, Doha, em setembro passado, pressionou Lightstone sobre a necessidade de Israel cumprir integralmente seus compromissos com a primeira fase do acordo – incluindo o fim dos ataques e a entrada de mais ajuda humanitária – para que se possa avançar para a próxima fase, disseram as fontes.
O cessar-fogo, negociado em outubro, pôs fim a dois anos de guerra em Gaza, embora não tenha respondido a questões substanciais sobre o futuro do território devastado, incluindo o papel do Hamas em qualquer futura segurança ou governança.
O Hamas reafirmou seu controle sobre a porção de Gaza não ocupada por Israel, e militares israelenses continuaram a realizar ataques frequentes no território.
A reunião de terça-feira aconteceu dias depois de Lightstone se encontrar com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para garantir o compromisso de Israel em implementar integralmente suas exigências na primeira fase do cessar-fogo, disseram uma fonte americana e um diplomata familiarizados com a reunião.
Uma fonte afirmou que Israel concordou em implementar essas exigências se o Hamas se comprometesse com o desarmamento.
Reuniões entre o Hamas, representantes do Conselho de Paz e mediadores internacionais têm o objetivo de chegar a um acordo sobre a próxima fase do cessar-fogo: o desarmamento do Hamas, o envio de uma força internacional para Gaza e a retirada das forças israelenses do território devastado.
Mas diversas fontes afirmaram que as negociações foram repetidamente paralisadas devido às exigências de que o Hamas concordasse em entregar as armas antes que Israel cumprisse seus compromissos da primeira fase.
O Hamas e várias organizações internacionais que atuam em Gaza afirmaram que Israel não está cumprindo sua parte do acordo, algo que Israel nega, acusando o Hamas de suas próprias violações.
Ataques israelenses mataram mais de 765 pessoas em Gaza desde que o cessar-fogo entrou em vigor em outubro, segundo o Ministério da Saúde palestino.
Uma fonte sênior do Hamas disse que o grupo palestino considera a proposta desequilibrada e que “reduz todo o processo a uma única cláusula – o desarmamento – enquanto outras obrigações da primeira fase são adiadas ou marginalizadas”.
“O documento proposto reflete um grande desequilíbrio na ordem de prioridades: a segurança de Israel em primeiro lugar, enquanto os direitos humanitários, políticos e administrativos dos palestinos são adiados”, disse a fonte.
A fonte afirmou que Mladenov passou a transmitir as exigências de Israel e a alertar que Israel retornará à guerra se o Hamas não concordar em se desarmar.
“A situação chegou ao ponto de Mladenov proferir ameaças veladas: aceitem o documento ou enfrentem o retorno à guerra”, disse a fonte.

