O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL) foi preso nesta segunda-feira (13), mas o monitoramento de agências de inteligência contra ele começou bem antes, em novembro do ano passado. Questões migratórias e de documentos impediam uma detenção.
O monitoramento foi terrestre, houve busca pela placa do carro usado pelo ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) na Flórida e reuniões do oficial de ligação da Polícia Federal (PF) com autoridades estadunidenses.
A Polícia Federal investiga se Ramagem comprou um carro com passaporte cancelado e se foi esse o veículo usado por ele para buscar a esposa, Rebeca Ramagem, no aeroporto. Foi a partir daí que a PF descobriu seu paradeiro e passou a monitorá-lo em espécie de “campana”, quando agentes disfarçados observam um investigado.

A PF não pode prender um brasileiro em outro país, mesmo que seja foragido da Justiça e se saiba o paradeiro. O procedimento é reunir informações e repassar para a polícia do país, nesse caso, dos Estados Unidos.
Nas primeiras duas semanas de abril, policiais da Flórida intensificaram o apoio e as reuniões com a PF brasileira, por meio de um oficial de ligação.
O passaporte diplomático de Ramagem foi cancelado pelo Itamaraty no meio do ano passado, mas não constava nos órgãos internacionais, o que permitiu a entrada dele nos Estados Unidos, em 11 de setembro.
Após a PF mudar sua metodologia interna e passar a incluir passaportes diplomáticos cancelados na lista da Interpol, as autoridades norte-americanas passaram a ter acesso à informação, em dezembro passado.
Ao meio-dia desta segunda, Ramagem foi preso pelo ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas), na Flórida, por questões migratórias após ser informado pela PF da sua localização. Aliados do ex-deputado apontam que o motivo seria uma infração de trânsito. Ele foi levado para a detenção, onde está à disposição da Justiça.
Segundo fontes da PF, não há como falar em deportação neste momento, porque Ramagem tem pedido de asilo político sendo analisado pelo governo dos Estados Unidos.
Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão no processo da trama golpista. Ele fugiu do Brasil por Roraima e pela Guiana em setembro do ano passado. A prisão desta segunda não tem relação com a condenação.

