A viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Washington confirmou a expectativa do governo brasileiro de que a decisão sobre a investigação dos Estados Unidos sobre o Pix será decidida com a palavra final de Donald Trump.
A leitura no governo brasileiro é a de que o diálogo direto entre os presidentes ajudou a “descontaminar” as discussões conduzidas pelo USTR, o escritório do representante comercial dos EUA, responsável pela investigação sobre supostas práticas desleais contra os americanos.
Apesar da avaliação positiva sobre o encontro, integrantes do governo evitam falar em um ponto final. O Brasil ainda não vê garantias concretas de recuo dos EUA, mas considera que ganhou tempo e conseguiu reduzir parte da tensão política em torno de possíveis novas tarifas.
Integrantes do governo Lula avaliam que o representante comercial, Jamieson Greer, “atrapalha” a relação bilateral. Fontes da comitiva de Lula afirmaram à CNN que Greer assumiu uma postura mais dura contra Lula durante o encontro de quinta-feira (7).
Antes da reunião entre Lula e Trump, negociadores brasileiros já haviam iniciado um trabalho de aproximação com técnicos americanos em Washington.
Em abril, uma delegação brasileira encaminhou aos EUA um documento com argumentos sobre comércio, sistema financeiro e cooperação em segurança pública. Esse mesmo texto foi reapresentado agora por Lula a Trump.
Na reunião, Lula procurou transmitir a Trump que o Brasil não representa uma ameaça econômica aos Estados Unidos e que a relação comercial entre os dois países é historicamente favorável aos americanos.
Auxiliares de Lula ressaltaram aos americanos que empresas dos EUA do setor de cartões e pagamentos já operam normalmente dentro do sistema brasileiro e utilizam o Pix em transações.
O presidente também afirmou que o Brasil tem interesse em melhorar a cooperação entre órgãos de inteligência e aduana para enfrentar lavagem de dinheiro, tráfico internacional de armas e o financiamento das facções criminosas.
A ideia, segundo interlocutores, é focar no “andar de cima” das organizações criminosas e no rastreamento financeiro das estruturas do crime organizado.
Nos bastidores, integrantes do governo afirmam que Trump insistiu para que Lula viajasse aos Estados Unidos. O encontro vinha sendo costurado desde janeiro e deveria ter ocorrido em março, mas acabou sendo adiado por causa da guerra no Oriente Médio.

