Em poucos dias, o Rio de Janeiro volta a parar para mais um megashow nas areias de Copacabana. Depois de apresentações históricas de Madonna e Lady Gaga, será a vez de Shakira subir ao palco em frente ao mar no próximo dia 2 de maio. E, junto com a expectativa pelo espetáculo, cresce também a curiosidade sobre onde a estrela colombiana ficará hospedada durante sua passagem pela cidade. O endereço mais provável já virou tradição entre celebridades internacionais: o Copacabana Palace.
Símbolo máximo da hotelaria de luxo no Brasil, o centenário hotel da Avenida Atlântica se tornou quase uma extensão natural dos grandes eventos realizados no bairro. Com localização privilegiada diante da praia, o “Copa”, como é carinhosamente chamado pelos cariocas, segue como primeira escolha de artistas, chefes de Estado e membros da realeza que desembarcam no Rio. A aposta é que a comitiva de Shakira, formada por cerca de 200 pessoas, ocuparia aproximadamente 90 quartos do hotel, embora a hospedagem ainda não tenha sido confirmada oficialmente.

Mais do que um lugar para dormir, o Copacabana Palace se transformou em personagem da história carioca. Inaugurado em 1923, nasceu com a missão de posicionar o Rio entre os grandes destinos internacionais da época e impulsionar o turismo de luxo no país. Deu certo. Sua monumental fachada branca, de inspiração europeia, ajudou a moldar o imaginário internacional sobre a cidade: glamour tropical, elegância clássica e vista para uma das praias mais famosas do mundo. Ao longo de mais de cem anos, atravessou governos, modismos, revoluções culturais e mudanças urbanas sem perder relevância.
Na década de 1930 o hotel inaugurou o Golden Room, então considerada a primeira grande casa de espetáculos da América Latina. Por ali passaram nomes lendários como Ella Fitzgerald, Josephine Baker, Marlene Dietrich, Ray Charles, Nat King Cole e Dionne Warwick, consolidando o endereço como palco da vida social e cultural brasileira. Hoje, é um dos salões mais desejados para casamentos e grandes festas da elite carioca.
Tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional em 1989, mesmo ano em que foi adquirido pelo grupo Belmond, o hotel passou por uma série de reformas para preservar sua história e reforçar seu status entre os endereços mais sofisticados da América do Sul. Ao longo das últimas décadas, o grupo investiu mais de US$ 50 milhões (cerca de R$ 250 milhões no câmbio de hoje) na propriedade. Entre as melhorias, estão o sistema de iluminação da fachada, inaugurado em 1990, a renovação da icônica piscina principal em 1991, a abertura do estrelado restaurante Cipriani em 1994, a construção de uma quadra de tênis em 1995, a piscina exclusiva do sexto andar em 1996, a reabertura dos antigos salões que já foram cassino em 2006 e a criação do spa em 2007.

Em 2012, o prédio principal passou por outra ampla modernização. Os 147 apartamentos foram renovados, enquanto o lobby ganhou 80% mais espaço e passou a exibir mármore travertino, escadaria original em mármore de Carrara e dois mezaninos. A entrada recebeu uma nova marquise de vidro e aço, além de adaptações voltadas à acessibilidade.
Agora, o hotel vive mais um capítulo importante. O antigo prédio Anexo, construído em 1948 para atender ao aumento da demanda, está sendo completamente transformado e será rebatizado como Tower Club. Trata-se do maior investimento único já realizado na história do Copacabana Palace, embora os valores não tenham sido divulgados. Assinado pelo arquiteto Ivan Rezende, o projeto prevê 68 acomodações redesenhadas, com suítes de 70 e 80 metros quadrados, novo spa ocupando dois andares, academia ampliada com equipamentos de última geração e a renovação total do premiado restaurante Cipriani, que foi eleito em 2025 o melhor italiano fora da Itália pelo ranking 50 Top Italy 2026. A tradicional Library também será atualizada, enquanto obras de artistas brasileiros como Carybé, Aldemir Martins e Ciro Fernandes ganharão destaque no projeto.

A famosa piscina principal passará por revitalização, com novo deck, revestimentos modernos, tecnologias atualizadas e um novo pool bar. Durante o período das obras, previsto para os meses de inverno e baixa temporada, os hóspedes terão acesso exclusivo à lendária “black pool” localizada no sexto andar, normalmente reservada às suítes mais exclusivas do hotel, as chamadas penthouses.
Outro símbolo do Copa também entrou recentemente em nova fase. Em homenagem à atriz Fernanda Montenegro, o histórico teatro do hotel passou a se chamar Teatro Fernanda Montenegro. Aos 96 anos, ela é a artista com relação mais longeva e marcante com o palco do hotel, além de somar o maior número de temporadas em sua história.

Sua ligação com o espaço começou em 1950, quando estreou ali com a peça As alegres canções na montanha (3200 metros de altitude), dirigida por Ester Leão. Depois vieram montagens de enorme repercussão, como Jezebel (1952), Mary Mary (1963), Qualquer quarta-feira (1964) e Plaza Suíte (1970).
Mas a trajetória do teatro começou antes. O então Teatro Copacabana Palace foi inaugurado em 1949, em um momento em que o hotel ampliava sua vocação como centro cultural e social da cidade. A estreia aconteceu com a peça A Mulher do Próximo, de Abílio Pereira de Almeida. Em 1953, um incêndio de grandes proporções interrompeu sua trajetória. Reconstruído, o espaço reabriu já em 1954 com Diálogos das Carmelitas, em um gesto de resistência cultural.
Nas décadas seguintes, o palco recebeu algumas das companhias mais importantes do país, como Teatro Brasileiro de Comédia, Companhia Maria Della Costa, Teatro dos Sete, Cia Dramática Nacional e Os Artistas Unidos, além de nomes fundamentais da cena nacional como Paulo Autran, Tônia Carrero, Cacilda Becker, Bibi Ferreira, Marília Pêra, Marieta Severo, Renata Sorrah, Vera Holtz, Procópio Ferreira e Susana Vieira.
Fechado em 1994, o teatro permaneceu por anos como memória afetiva do glamour cultural carioca até iniciar, em 2018, um amplo processo de revitalização. Após cuidadosa restauração, foi reinaugurado em novembro de 2021, devolvendo ao hotel um de seus símbolos mais importantes.
Ao longo de mais de um século, o Copacabana Palace hospedou reis, rainhas, presidentes e celebridades de todas as gerações. Entre os nomes que já passaram por suas suítes estão Princesa Diana, Rei Charles, Juan Carlos e Rainha Sofia da Espanha, Angela Merkel, Gisele Bündchen, Madonna, Mick Jagger, Tom Cruise, Will Smith, Hugh Jackman, Katy Perry, Justin Bieber, Miley Cyrus, Lana Del Rey, Valentino, Donatella Versace e Sebastião Salgado.

No Hall of Fame, localizado no segundo piso, hóspedes e visitantes podem ver fotografias desses e de muitos outros nomes ilustres. Já o tradicional Livro de Ouro, guardado no cofre do hotel desde 1923, reúne dedicatórias históricas assinadas por personalidades como Santos Dumont, Nelson Mandela e Princesa Diana. Sem dúvida, o Copa segue contando uma boa parte da história da Cidade Maravilhosa.
Belmond Copacabana Palace: Avenida Atlântica, 1702 – Copacabana, Rio de Janeiro – RJ / Reservas pelo site.

