A decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), de pautar o projeto de lei do fim da escala 6×1 deve poupar a Casa Legislativa de ônus eleitoral.
O diagnóstico feito por líderes partidários é de que o deputado federal blinda a Casa Legislativa de críticas da sociedade, mas também deixa um ônus eleitoral para o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP).
Em reservado, Hugo critica a morosidade de Alcolumbre em levar a proposta adiante. Antes da aprovação na Câmara dos Deputados, Alcolumbre havia acenado que levaria a iniciativa adiante.P
Ele, porém, recuou e afirmou publicamente que não aceitará pressões. Em conversa com o Palácio do Planalto, Alcolumbre pediu uma conversa privada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Lula, porém, disse que, neste momento, não quer conversar com o presidente do Senado. Um eventual encontro só deve ocorrer após o presidente retornar de viagem à França, para o encontro do G7.
A estratégia política neste momento do Palácio do Planalto é de tentar encurralar Alcolumbre, deixando as duas iniciativas prontas para serem votadas no Senado Federal.
Caso Alcolumbre insista em barrar a iniciativa, PT e PSOL já preparam campanhas nas redes sociais para retomar o discurso de que o Congresso Nacional seria inimigo do povo.
No governo federal, a percepção é de que, ainda que Alcolumbre não vote a proposta, a pauta do fim da 6×1 ainda serve como uma pauta forte para a campanha à reeleição de Lula.
E que, portanto, eventuais prejuízos eleitorais não devem ocorrer, já que o assunto deverá se transformar em uma promessa eleitoral do petista para os próximos quatro anos.


