A célebre frase de Bruce McLaren, dita em 1964 durante um elogio fúnebre ao amigo e também piloto Timmy Mayer — “a vida é medida por realizações, não apenas pelos anos” — continua guiando a equipe que leva seu nome mais de seis décadas depois.
Fundada pelo neozelandês Bruce McLaren com apenas um pequeno grupo de funcionários, a McLaren alcançará neste fim de semana, no Grande Prêmio de Mônaco, a marca de 1.000 largadas na Fórmula 1. A equipe se tornará apenas a segunda da história a atingir esse feito, depois da Ferrari.
A diferença é que a McLaren chega a esse marco como campeã mundial.
Em termos de conquistas, a McLaren é a segunda equipe mais vitoriosa da história da Fórmula 1. Desde sua primeira vitória, em 1968, o time acumula 203 triunfos em Grandes Prêmios.
A escuderia conquistou dez títulos mundiais de construtores e 13 campeonatos de pilotos desde o primeiro troféu, vencido pelo brasileiro Emerson Fittipaldi em 1974. O mais recente foi obtido pelo britânico Lando Norris, em 2025.
A Ferrari, que disputa a Fórmula 1 desde a temporada inaugural de 1950, alcançou a marca de 1.000 corridas em 2020, no circuito de Mugello. A equipe italiana soma 16 títulos de construtores, 15 campeonatos de pilotos e 247 vitórias.
Apesar disso, a Ferrari não conquista um título mundial desde 2008.
“É uma equipe icônica, lendária no automobilismo”, afirmou Zak Brown, CEO da McLaren desde 2018 e responsável por conduzir a equipe de volta ao topo após anos de dificuldades.
“Os pilotos que tivemos ao longo dos anos são incríveis”, acrescentou.
A lista de campeões, de Fittipaldi a Norris
A relação de campeões da McLaren reforça a dimensão histórica da equipe, com Lando Norris sendo o nome mais recente da lista.
Depois de Emerson Fittipaldi, vieram James Hunt (1976), Niki Lauda (1984), Alain Prost (1985, 1986 e 1989), Ayrton Senna e Alain Prost (1988, 1990 e 1991), Mika Häkkinen (1998 e 1999) e Lewis Hamilton (2008).
Outros campeões mundiais que defenderam a McLaren em algum momento da carreira incluem Fernando Alonso, Jenson Button, Denny Hulme, Nigel Mansell, Kimi Räikkönen, Keke Rosberg e Jody Scheckter.
“Ver meu nome ao lado de alguns desses caras é algo muito especial”, disse Norris, que compete pela equipe desde sua estreia na Fórmula 1, em 2019.
O britânico descreveu o atual ambiente da McLaren como “uma grande família feliz”, embora nem sempre tenha sido assim.
Durante a era de Ron Dennis, iniciada em 1981, a McLaren se consolidou como uma potência inovadora e conquistou sete títulos de construtores entre 1984 e 1998.
Dennis começou como mecânico e ficou conhecido pela atenção aos detalhes e pela visão estratégica. A premiada fábrica da equipe em Woking e a divisão de carros de rua são exemplos desse legado. Sob seu comando, a McLaren voltou ao topo após a queda de desempenho vivida no fim da década de 1970.
Embora fosse considerado por muitos uma figura obsessiva e por vezes difícil, em uma época menos voltada para os torcedores, Dennis também ficou famoso pelo uso de expressões complexas conhecidas como “Ronspeak”. Ainda assim, os resultados alcançados pela equipe eram invejáveis.
Em 1988, a McLaren venceu todas as corridas da temporada, exceto uma, com Ayrton Senna e Alain Prost. A rivalidade entre os dois pilotos marcou a Fórmula 1 no fim dos anos 1980 e início dos anos 1990.
Já em 2007, ano de estreia de Lewis Hamilton na categoria, a McLaren recebeu uma multa recorde de 100 milhões de dólares (R$ 505 milhões) da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) por possuir ilegalmente informações confidenciais da Ferrari no famoso escândalo conhecido como “Spygate”.
Ron Dennis deixou o comando da organização em 2017, após perder poder em uma disputa interna que terminou com o fundo de investimentos bareinita Mumtalakat assumindo o controle da equipe.
Bicampeã
A McLaren voltou ao topo em 2024 com o título de construtores e conquistou ambos os campeonatos em 2025. Nesse processo, a equipe também resgatou as tradicionais cores papaya e reforçou a conexão com os torcedores.
“Tudo gira em torno das pessoas. Quando cheguei, a equipe passava por tempos difíceis. Estávamos em nono lugar no campeonato, não tínhamos muitos parceiros e os que tínhamos não estavam satisfeitos. Nossos torcedores estavam frustrados e havia muita política dentro da equipe. O que tínhamos de especial era a nossa marca. Ela não estava em um grande momento, mas ninguém pode tirar nossa história e nossa herança”, afirmou Brown.
O chefe da equipe, Andrea Stella, que trabalhou na Ferrari durante a era vitoriosa de Michael Schumacher, afirmou que a McLaren, assim como a escuderia italiana, é definida por seu legado.
“Tudo começou com nosso fundador, Bruce McLaren. Ele era um jovem que queria construir algo incrível. Seguiu seus sonhos e conseguiu transformá-los em realidade”, declarou o italiano.

