O Festival de Parintins ganhou uma nova arena na noite desta terça-feira (22). Longe do Bumbódromo, mas cercado por toadas, alegorias, gastronomia amazônica e artistas dos bois Caprichoso e Garantido, o Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), no Rio de Janeiro, abriu oficialmente a exposição “Boi-Bumbá de Parintins: Do Brincar ao Futuro”. A iniciativa, liderada pelo Sebrae Amazonas, projeta nacionalmente a força da economia criativa do estado e demonstra como a cultura popular pode se transformar em desenvolvimento, geração de renda e novas oportunidades de negócios.


A cerimônia reuniu representantes do Sebrae Nacional, Sebrae Amazonas, Sebrae Rio, CRAB, dirigentes dos bois Garantido e Caprichoso, artistas, artesãos e parceiros que participaram da construção da mostra, aberta ao público a partir desta quarta-feira (23). A mostra permanecerá aberta ao público gratuitamente pelos próximos dez meses, ocupando oito salas do primeiro andar do CRAB.


Para o presidente do Sebrae Nacional, Rodrigo Soares, a exposição evidencia o potencial do artesanato como vetor permanente de desenvolvimento econômico.
“Com essa mostra, o público vai conhecer os saberes, os fazeres e as possibilidades que nascem do Festival de Parintins. O artesanato representa uma oportunidade permanente de geração de renda, inovação e valorização da nossa cultura.”


Na avaliação do presidente do Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae Amazonas, Antonio Silva, a realização da mostra amplia a visibilidade da produção amazonense e reforça o papel da economia criativa como estratégia de desenvolvimento para o estado.


“Esta exposição evidencia a capacidade do Amazonas de transformar criatividade, identidade e saberes tradicionais em oportunidades de mercado, fortalecendo e projetando nossos artistas para o Brasil e para o mundo.”
A diretora superintendente do Sebrae Amazonas, Ananda Carvalho Normando Pessôa, destaca que a exposição consolida uma estratégia construída pela instituição para ampliar mercados e valorizar os pequenos negócios ligados ao Festival.


“Levar Parintins ao principal centro de referência do artesanato brasileiro representa muito mais do que ocupar um espaço expositivo. Estamos posicionando o Amazonas como referência nacional em economia criativa, mostrando que nossa cultura também é um ativo de desenvolvimento, inovação e geração de renda. Cada peça apresentada traduz um processo de qualificação, empreendedorismo e valorização dos pequenos negócios que o Sebrae vem construindo junto aos artistas e artesãos de Parintins.”


Segundo a diretora técnica do Sebrae Amazonas, Lamisse Said da Silva Cavalcanti, a exposição é resultado de uma metodologia desenvolvida pela instituição para transformar talento em oportunidades de mercado.

“Esse é o resultado de um grande projeto desenvolvido pelo Sebrae Amazonas junto aos artistas e artesãos. Construímos uma metodologia própria baseada em inovação, design e acesso a mercados. Hoje vemos esse trabalho ocupar o principal espaço de referência do artesanato brasileiro.”
Representando o Sebrae Rio e o CRAB, o diretor de Desenvolvimento Sérgio Malta ressaltou que a exposição aproxima o público brasileiro dos profissionais que fazem o Festival acontecer durante todo o ano.
“Toda essa grandiosidade nasce das mãos talentosas de homens e mulheres que criam, inovam e mantêm viva uma das mais belas expressões culturais do Brasil. Esta exposição convida o visitante a reconhecer quem está por trás dessa riqueza cultural.”

A abertura transformou a Praça Tiradentes em uma extensão simbólica do Festival de Parintins. Um palco montado na área externa do CRAB recebeu o grupo amazonense Kboclos, que levou ao público clássicos das toadas dos bois Caprichoso e Garantido. Personagens inspirados no universo do Festival, como Cunhã-Poranga, Pajé e representações dos dois bois, interagiram com os convidados, enquanto a gastronomia regional apresentou sabores típicos da Amazônia, como pirarucu de casaca, picadinho de tambaqui com farofa de banana, suco de cupuaçu e caldinho de tucupi.
Entre os convidados estavam o presidente do Boi Garantido, Fred Góes, a conselheira de Artes e ex-vice-presidente do Boi Caprichoso, Socorro Carvalho, além do Amo do Boi Caetano Medeiros, que participaram das atividades de abertura e de um momento de interação com o público para explicar a linguagem, os personagens e os significados que envolvem o universo do boi-bumbá.
Para o presidente do Boi Garantido, Fred Góes, a exposição apresenta ao Brasil o delicado trabalho desenvolvido pelos artistas que constroem o Festival durante todo o ano.
“Essa exposição mostra um pouco do encantamento que Parintins provoca. A economia criativa está presente em todo esse movimento, porque movimenta a cidade o ano inteiro e revela uma força coletiva construída pelos artistas e artesãos.”
Representando o Boi Caprichoso, a conselheira de Artes Socorrinha Carvalho destacou que iniciativas como essa ajudam a perpetuar a tradição entre as novas gerações.
“Os Mini Bois fazem exatamente o que os bois da arena fazem. Eles despertam nas crianças a paixão pelo Festival e garantem que essa cultura continue viva. O Sebrae foi a primeira instituição a enxergar esse potencial e a transformar essa criatividade em oportunidade.”
Uma história contada pela Amazônia
A curadoria da mostra é assinada por Rozana Trilha, do Instituto Zagaya Amazônia, que estruturou o percurso expositivo em oito ambientes temáticos.A experiência é acompanhada por uma trilha sonora original composta especialmente para a mostra pelo presidente da Associação Mini Boi Garantido, Neff Thales. A obra reforça a proposta imersiva da exposição ao transportar o visitante para o universo sonoro do Festival de Parintins.
Segundo ela, a proposta não foi reunir objetos, mas construir uma narrativa sobre identidade, memória e futuro.
“Cada sala faz parte de um mosaico. O que queremos que o visitante leve consigo é a importância da preservação da nossa identidade. Quando preservamos a cultura, preservamos também a maior biodiversidade cultural que podemos ter.”
A concepção expográfica leva a assinatura do designer Sérgio Matos, que participou da construção do projeto desde as primeiras visitas técnicas a Parintins.
Segundo ele, o trabalho buscou revelar ao público um potencial criativo que vai muito além do espetáculo apresentado na arena.
“Parintins talvez seja a cidade mais criativa do Brasil. Nosso desafio foi mostrar que toda essa capacidade artística pode gerar design, mobiliário, moda, decoração e novos negócios durante o ano inteiro. O Festival continua sendo gigante, mas os artistas podem ir muito além dele.”
O Mini Boi ganha o Brasil
Um dos destaques da exposição é a instalação formada por 300 Mini Bois — 150 do Garantido e 150 do Caprichoso — que deixam o Amazonas pela primeira vez. A mostra apresenta ainda alegorias em miniatura produzidas por crianças e jovens que reproduzem, em escala reduzida, a grandiosidade do Festival.
O presidente da Associação Mini Boi Garantido, Neff Thales, define o momento como a realização de um sonho coletivo.
“Atravessamos rios para chegar a Manaus e cruzamos o céu até o Rio de Janeiro levando o brincar do fundo de quintal para uma das maiores vitrines culturais do país. Ver o público entrando nas salas e se emocionando mostra que conseguimos cumprir nossa missão.”
Para o presidente da Associação Mini Boi Caprichoso, Adriano Mourão, a exposição inaugura uma nova fase para o movimento.
“Hoje existe um Mini Boi antes e depois do Sebrae. Essa oportunidade muda a vida dos artistas e mostra que Parintins é muito maior do que três dias de Festival.”
Cultura que gera renda
A exposição também apresenta resultados do projeto Parintins Criativo: Do Festival ao Futuro, iniciativa do Sebrae Amazonas e artistas, que transforma resíduos das alegorias em produtos de arte, design e decoração. Atualmente, cerca de 64 artesãos participam da iniciativa.
Segundo Regiane Lima, responsável pelo projeto, o maior legado está na valorização das pessoas que constroem o Festival.
“Durante muitos anos o mundo conheceu o Festival, mas não conhecia quem fazia essa grandiosidade acontecer. Hoje conseguimos dar visibilidade às mãos que constroem essa arte e abrir novos caminhos para esses artesãos.”
Debate amplia reflexões sobre cultura e futuro
A programação continuou na manhã desta quarta-feira (23) com o Papo CRAB – Cultura e Resistência em Parintins, reunindo Isabelle Nogueira, Isabela Fechina, Regiane Lima, Lilian Simões e Karla Nayra Carbonera para discutir identidade, economia criativa, sustentabilidade e os caminhos para ampliar a presença da produção artística amazônica em novos mercados.
Muito além de uma exposição
A diretora administrativa e financeira do Sebrae Amazonas, Adrianne Antony Gonçalves, afirma que o projeto materializa um sonho coletivo construído por artistas, artesãos e parceiros.
“Estamos trazendo ao Rio de Janeiro muito mais do que esculturas, figurinos e alegorias. Estamos entregando a alma de Parintins. Cada detalhe desta exposição carrega o talento de artistas que transformam criatividade em desenvolvimento. Queremos que cada visitante saia daqui encantado com a força da cultura amazônica.”
Distribuída em oito ambientes temáticos, a mostra reúne mais de 300 peças, incluindo os 300 Mini Bois, sete esculturas em tamanho real inspiradas nos Encantados amazônicos, figurinos, croquis, instalações imersivas e objetos produzidos a partir do reaproveitamento de resíduos do Festival. A realização conta com a participação do Estúdio Sérgio Matos e do Instituto Zagaia Amazônia.
Mais do que apresentar ao público uma das maiores manifestações culturais do país, a exposição reafirma que o Festival de Parintins ultrapassa os três dias de espetáculo no Bumbódromo. Com entrada gratuita e visitação prevista pelos próximos dez meses, a mostra amplia a presença da cultura amazônica em um dos principais espaços dedicados ao artesanato brasileiro e reforça o papel do Sebrae Amazonas na construção de iniciativas que unem cultura, empreendedorismo e desenvolvimento econômico.
Fotos: Wellington Mamud
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