A Polícia Federal cumpriu, nesta quinta-feira (3), mandados de busca e apreensão na sede da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (Aadesam), em Manaus. A ação faz parte de uma investigação que apura suspeitas de abuso de poder econômico e político no contexto das Eleições 2026.
A operação foi determinada pela Vice-Presidência e Corregedoria Regional Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), após pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE). Segundo a Polícia Federal, a apuração investiga possíveis irregularidades envolvendo a transferência de servidores de Manaus para municípios do interior do estado, que poderiam ter motivação eleitoral.
O procedimento também está relacionado a uma decisão anterior da Justiça Eleitoral que determinou à Aadesam a preservação de registros referentes à contratação e ao desligamento de funcionários. A entidade foi orientada a não excluir, modificar ou retificar os dados enquanto a investigação estiver em andamento.
De acordo com a PF, o cumprimento dos mandados foi autorizado após o Ministério Público Eleitoral alertar a Justiça sobre a possibilidade de destruição, exclusão ou alteração de provas.
Durante a diligência, foram apreendidos equipamentos de informática, um aparelho celular e uma mídia de armazenamento. Todo o material foi encaminhado ao setor técnico-científico da Polícia Federal, onde passará por procedimentos de espelhamento forense e análise pericial.
Ainda segundo a corporação, uma nova diligência deverá ser realizada para permitir a extração seletiva de informações relacionadas aos registros trabalhistas eletrônicos investigados.
A Polícia Federal informou que atuou no cumprimento da ordem judicial, prestando apoio técnico e operacional à Justiça Eleitoral. A ação contou com a participação de um perito criminal federal especializado em informática forense e foi acompanhada por um oficial de Justiça do TRE-AM.
Transferência de servidores
A investigação ocorre após a Justiça Eleitoral suspender a transferência de 19 servidores da Aadesam, que seriam deslocados de Manaus para municípios do interior do Amazonas.
As mudanças haviam sido determinadas pela Secretaria de Estado da Assistência Social (Seas), por meio de um ofício datado de 19 de agosto. Entre as justificativas apresentadas estavam a necessidade de melhorar o desempenho das atividades, adequar planos de trabalho e reduzir despesas com diárias e passagens.
A decisão foi contestada na Justiça Eleitoral por uma coligação, que apontou possível motivação eleitoral nas transferências. Segundo a denúncia, as mudanças foram determinadas durante o período eleitoral e estabeleciam um prazo curto para que os servidores deixassem a capital.
Ao analisar o caso, a desembargadora Nélia Caminha Jorge, do TRE-AM, apontou indícios de possível violação às regras previstas no artigo 73, inciso V, da Lei das Eleições. A legislação proíbe, nos três meses anteriores ao pleito, a remoção ou transferência de servidores públicos de ofício, salvo nas situações excepcionais previstas em lei.
A magistrada também considerou a existência de risco de prejuízo caso as transferências fossem concretizadas antes da análise definitiva do processo e, por isso, concedeu uma decisão liminar suspendendo as mudanças.
O que diz a Aadesam
Em nota, a Aadesam informou que todos os documentos e informações solicitados anteriormente pela Justiça foram entregues espontaneamente pela entidade na quarta-feira (2), um dia antes do cumprimento dos mandados.
A agência afirmou ainda que atua dentro dos princípios da legalidade e da transparência e que está colaborando integralmente com as autoridades para o esclarecimento dos fatos.
A investigação tramita sob segredo de Justiça. Por esse motivo, a Polícia Federal informou que não divulgará nomes de envolvidos, o conteúdo dos materiais apreendidos nem outros detalhes relacionados à apuração.

