O Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira (14), pressionado principalmente pelo recuo das ações da Vale, em meio à baixa dos contratos futuros de minério de ferro na China.
As novas pesquisas eleitorais também estiveram no radar dos investidores na Bolsa brasileira, que seguem atentos aos possíveis impactos da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e das investigações sobre o Banco Master na corrida presidencial.
A primeira sessão da semana ainda foi marcada pelos alertas sobre os riscos relacionados à inteligência artificial e pelo novo avanço dos preços do petróleo no mercado internacional.
O principal índice do mercado acionário brasileiro recuou 0,91%, aos 185.500,88 pontos. Durante o pregão, o índice oscilou entre a mínima de 183.813,36 pontos e a máxima de 187.320,96 pontos.
O volume financeiro somava R$ 22,31 bilhões antes dos ajustes finais.
Já o dólar fechou o dia em alta ante o real, influenciado tanto pelo avanço da moeda norte-americana no exterior quanto pelo cenário político conturbado no Brasil, em meio à crise no STF e a novas pesquisas eleitorais.
A moeda norte-americana à vista encerrou a sessão com alta de 0,49%, a R$ 5,1490. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,19%.
Juros futuros
As taxas dos DIs também operavam em alta, seguindo a preocupação do mercado com o cenário eleitoral, enquanto no exterior os rendimentos dos Treasuries e o petróleo subiam.
Por volta das 10h, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,695%, em alta de 7 pontos-base ante o ajuste de 13,625% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,3%, com elevação de 12 pontos-base ante 14,179%.
Em função do conflito entre Estados Unidos e Irã, investidores voltaram a buscar ativos mais seguros nesta segunda-feira, como o dólar, enquanto o petróleo Brent voltou a se aproximar dos US$ 110 o barril, reforçando as preocupações com a inflação nos países.
Trade eleitoral
A pesquisa Nexus/BTG divulgada antes da abertura nesta segunda-feira mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) soma agora 42% das intenções de voto no primeiro turno, ante 39% na pesquisa da semana passada, ao passo que o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 37%, ante 35% no levantamento anterior.
O cenário de segundo turno continuou mostrando empate técnico, mas com Lula voltando a liderar com 47%, ante 45% na pesquisa anterior, enquanto Flávio se manteve com 46% das intenções de voto.
Também nesta manhã a pesquisa Quaest divulgada pelo jornal O Globo mostrou Flávio com 42%, enquanto Lula soma 40% em um eventual segundo turno.
Na pesquisa anterior, divulgada há uma semana, ambos estavam empatados numericamente com 41%. Ambos permanecem em empate técnico.
O Nexus ouviu 2.003 pessoas entre os dias 11 e 13 de setembro e a Quaest ouviu também 2.003 pessoas, mas entre os dias 10 e 13 de setembro.
Na visão de estrategistas do JPMorgan, a eleição presidencial brasileira de 2026 é o principal catalisador doméstico para os ativos brasileiros neste ano.
“As pesquisas eleitorais vêm mostrando uma disputa mais apertada e agora estão dentro da margem de erro, tornando o resultado altamente incerto e reforçando a perspectiva de volatilidade elevada nos mercados no período em torno da eleição.”
Investidores também continuam monitorando os potenciais desdobramentos da crise no STF e da retirada de sigilo de parte das investigações sobre o Banco Master, em particular as informações relacionadas ao filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O ministro Flávio Dino, do STF, retirou no domingo o sigilo das investigações que apuram se houve desvio de emendas parlamentares para a realização do filme “Dark Horse” e determinou que a Polícia Civil de São Paulo encaminhe à Polícia Federal o material coletado nas investigações sobre o caso.
“O risco político aumentou”, avaliou o responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, destacando que notícias sobre o caso já haviam interrompido parcialmente o trade pró-Flávio na sexta-feira, diante do receio de que novas revelações possam atingir sua campanha.
No exterior, o presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, defendeu no sábado que empresas de IA diminuam o ritmo de avanço das capacidades dos modelos por receio de uso indevido da inteligência artificial, o que foi endossado por Elon Musk, que dirige a xAI, e pelo CEO da OpenAI, Sam Altman.
Em Nova York, o S&P 500 recuava 0,55%, em pregão marcado por queda de ações de empresas ligadas à IA em todo o mundo.
Em paralelo, o barril de petróleo sob o contrato Brent LCOc1 avançava 4,07%, a US$ 108,87, depois que novos ataques a infraestruturas energéticas e civis da Arábia Saudita e ataques iranianos a navios no Golfo agravaram as preocupações com o abastecimento, após o fechamento de um importante oleoduto saudita.

