Após Manaus amanhecer novamente encoberta por fumaça, nesta quinta-feira (8), a prefeitura afirmou que o fenômeno é causado por queimadas na Região Metropolitana e tem como principal origem o município de Itacoatiara. A gestão municipal, no entanto, não citou o incêndio que já dura mais de 40 horas em um terreno no bairro Distrito Industrial 2, na Zona Leste da capital.
A Prefeitura informou que a concentração de partículas finas (MP2,5) no ar chegou a 73,65 microgramas por metro cúbico (µg/m³), às 8h50 desta quinta. O índice foi classificado como “ruim”. Por volta das 15h, a situação havia melhorado, com o nível de poluição do ar chegando a 47,5 µg/m³.
A qualidade do ar é considerada boa quando a concentração de partículas fica entre 0 e 25 µg/m³. Acima desse nível, os índices passam por classificações que variam de moderada a péssima, conforme a escala utilizada pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
O Governo do Amazonas também se manifestou sobre a situação e informou que ampliou as ações de monitoramento, fiscalização e combate aos incêndios nas regiões mais atingidas. Uma reunião entre o governador Roberto Cidade (União Brasil) e o Comitê de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais foi realizada nesta quinta-feira.
O Estado relacionou o aumento das queimadas e o acúmulo de fumaça à estiagem e ao fenômeno El Niño.
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O que dizem as autoridades
Em nota, a Prefeitura de Manaus afirmou que a fumaça que chegou à capital é proveniente de queimadas na Região Metropolitana, “principalmente do município de Itacoatiara”, onde dois incêndios ocorrem. Um dos focos foi registrado na quarta-feira (7), próximo ao bairro Jacarezinho e segue ativo nesta quinta. O outro começou em 19 de setembro, na região do Lago do Canaçari, e já dura 19 dias.
A gestão municipal disse ainda que Manaus está entre as cidades com menor número de focos de incêndio no Amazonas, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e citou ações de prevenção, fiscalização e monitoramento realizadas pelo município.
A Prefeitura não informou, porém, se o incêndio registrado no Distrito Industrial 2 tem relação com a fumaça que encobre a cidade. O fogo começou na terça-feira e seguia sendo registrado na região nesta quinta.
O Governo do Amazonas também se manifestou sobre a situação. O governador Roberto Cidade comandou, nesta quinta-feira, uma reunião do Comitê de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais para discutir medidas de prevenção, fiscalização e combate aos incêndios em diferentes regiões do estado.
O Governo do Amazonas, por sua vez, não apontou um município específico como origem da fumaça. O secretário de Estado do Meio Ambiente, Miqueias Santos, afirmou que o cenário está relacionado à intensificação das queimadas e às condições climáticas provocadas pelo El Niño.
“Essa anomalia do El Niño demonstra, inclusive, que vai se atenuar e vai continuar por um período muito grande essa seca no nosso estado, como mostram os cenários que estamos acompanhando”, declarou o secretário.
Segundo o secretário, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) mantém integração com secretarias municipais de meio ambiente e acompanha os cenários climáticos e a distribuição dos focos de calor no estado.
Combate às queimadas
O governo informou que cerca de mil servidores e brigadistas estão envolvidos na Operação Amazonas+Verde, que atua em 33 municípios.
O Corpo de Bombeiros também ampliou a presença no interior e conta atualmente com bases permanentes em 25 municípios. A corporação recebeu cinco viaturas para combate a incêndios florestais e uma aeronave especializada.
Na Região Metropolitana de Manaus, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) informou que intensificou as fiscalizações. As equipes utilizam imagens de satélite e sistemas de monitoramento para identificar focos de calor e direcionar as ações.
De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram identificados 4.370 focos de calor no Amazonas entre 1º de setembro e 6 de outubro.
O governo também informou que está proibido o uso do fogo em todo o território amazonense por 120 dias, conforme decreto publicado em setembro, com exceções previstas na legislação.
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Qualidade do ar
Segundo a Defesa Civil do Amazonas, um alerta emitido na noite de quarta-feira apontou niveis de qualidade do ar classificados como “ruim” e “muito ruim” em Manaus, Novo Aripuanã, Novo Airão, Careiro, Iranduba, Careiro da Várzea, Maués, São Sebastião do Uatumã, Barreirinha e Parintins.
Um novo alerta, emitido na manhã desta quinta, apontou nível moderado em outros 14 municípios. O aviso é válido até a manhã de sexta-feira (9).
Também está ativo um alerta de onda de calor até domingo (11), com previsão de temperaturas superiores a 38°C em Manaus e outros municípios da Região Metropolitana.
Cuidados
A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) recomenda reduzir a exposição à fumaça, principalmente no caso de crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas.
A orientação é evitar atividades físicas ao ar livre nos períodos de pior qualidade do ar, manter-se hidratado e proteger os olhos e o nariz. Quando a exposição for inevitável, máscaras como a N95 podem ajudar a reduzir a inalação de partículas.
Tosse, irritação ou dor de garganta, ardência nos olhos, coriza, dor de cabeça, chiado no peito, falta de ar e piora de crises de asma são alguns dos sinais de alerta.
Em caso de sintomas leves, a orientação é procurar uma unidade básica de saúde. Situações mais graves devem ser avaliadas em serviços de pronto atendimento. Em emergências, o Samu pode ser acionado pelo telefone 192.
Denúncias
Queimadas ilegais e outras infrações ambientais podem ser denunciadas ao Ipaam pelo WhatsApp (92) 98557-9454.
Em Manaus, a Guarda Municipal recebe denúncias pelo telefone 153. Já em caso de incêndios, o Corpo de Bombeiros pode ser acionado pelo 193.

