A diplomacia brasileira adota uma postura de cautela diante das declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL) no país. Segundo apuração, o caso deve ser tratado na esfera judicial e que ganhou uma dimensão que vai muito além da diplomacia.
Segundo interlocutores, é preciso apurar os fatos e conhecer todos os detalhes do caso antes de definir eventuais próximos passos em termos diplomáticos. A avaliação é que a situação de Flávio Bolsonaro deve ser tratada na esfera jurídica.
Uma das fontes afirmou que o assunto ganhou uma proporção que se estende muito além da diplomacia, por isso é preciso aguardar para ver como o episódio se desenvolve. A mesma fonte acrescentou que qualquer manifestação será decidida em alto nível, pelo Planalto, e que o Itamaraty agirá na esteira das decisões da presidência.
Questionada se as declarações de Trump e a concessão dos vistos a Flávio e sua família poderiam abrir uma nova crise diplomática, uma fonte disse que é necessário evitar precipitações e não confirmou se haverá alguma manifestação ou interlocução com o governo norte-americano.
Por outro lado, a fonte relativizou as críticas de Trump à eleição brasileira ao lembrar que o presidente americano havia elogiado o sistema eleitoral no primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro ficou à frente.
Um interlocutor do governo brasileiro afirmou também que se surpreendeu com a rapidez de Alexandre de Moraes em adotar medidas contra Flávio Bolsonaro. A fonte também afirmou que não esperava que o senador deixasse o Brasil.
Era amplamente esperado dentro do governo que Flávio questionasse o resultado da eleição, mas alguns acreditavam que ele ficaria no país para liderar a oposição. A avaliação era que, com uma bancada forte no Congresso e um longo caminho político pela frente, o senador teria espaço para se preparar para uma nova disputa.
Sobre uma possível participação de Marco Rubio na articulação da ida de Flávio aos Estados Unidos, interlocutores afirmam que há diferentes grupos no governo americano e que a boa relação entre Lula e Trump sofre interferência de setores do Departamento de Estado que dificultam o diálogo.
Ainda assim, a expectativa é que a relação entre os dois países continue sendo conduzida de forma pragmática e a postura de cautela é uma tentativa de evitar uma escalada das tensões.

