O governo federal negocia novos acordos internacionais na área de minerais críticos com Canadá e Espanha, em mais um movimento da estratégia brasileira de reforçar a chamada diplomacia mineral.
A avaliação de fontes ouvidas pela CNN é que os entendimentos seguem a linha adotada pelo Brasil nos últimos meses: sinalizar disposição para negociar com diferentes países, evitar alinhamentos exclusivos e reforçar, de forma indireta, a mensagem de que o país quer ampliar sua presença nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.
O Brasil já assinou acordos, em formatos semelhantes, com Índia, Arábia Saudita e Coreia do Sul.
O memorando com a Espanha ainda está em fase final de negociação, com ajustes redacionais em andamento, e pode ser assinado ainda nesta semana, durante encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, em Barcelona.
Na avaliação de interlocutores que acompanham as tratativas, o acordo com os espanhóis tende a ter peso mais político e diplomático do que efeitos práticos imediatos para o setor.
Já o memorando com o Canadá, negociado há mais tempo, é visto como um instrumento com maior potencial de gerar desdobramentos concretos.
Isso porque o Canadá é uma das principais potências minerais do mundo e concentra forte presença no financiamento da atividade minerária, desde as fases de pesquisa e exploração até etapas mais avançadas da cadeia.
Diversas empresas que atuam no Brasil — inclusive no segmento de minerais críticos — são companhias canadenses de capital aberto, muitas delas listadas na Bolsa de Toronto.
Além disso, o setor privado dos dois países mantém interlocução frequente.
Em março, durante o PDAC, maior evento de mineração do mundo, a BCCC ( Brazil-Canada Chamber of Commerce) e a Associação de Minerais Críticos assinaram um memorando para intensificar o diálogo empresarial e ampliar oportunidades de negócios na cadeia de minerais críticos entre Brasil e Canadá.
Os governos dos dois países também já vêm dando passos de aproximação.
O SGB (Serviço Geológico do Brasil) assinou, em Toronto, um acordo de cooperação técnica com o GSC (Geological Survey of Canada) para identificar áreas com maior probabilidade de conter depósitos de níquel.

