Negociadores dos EUA devem partir na manhã deste sábado (25) para o Paquistão. A comitiva inclui o enviado especial do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, e seu genro, Jared Kushner.
De acordo com a Casa Branca, os dois teriam conversas com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqch.
Porém, o Irã afirmou que seus representantes não planejam se encontrar diretamente com os americanos para discutir o fim da guerra que já matou milhares de pessoas e abalou os mercados globais.
As preocupações do Irã seriam transmitidas ao Paquistão, disse um porta-voz do regime.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, chegou à capital paquistanesa, Islamabad, na sexta-feira (24).
Fontes paquistanesas disseram anteriormente que uma equipe de logística e segurança dos EUA já estava posicionada em Islamabad para possíveis negociações.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse à Reuters também na sexta-feira que o Irã planeja fazer uma oferta com o objetivo de satisfazer as exigências americanas, mas afirmou que ainda não sabia o que a oferta envolvia.
Questionado sobre com quem os EUA estavam negociando, Trump disse: “Não quero dizer isso, mas estamos lidando com as pessoas que estão no comando agora”.
Após uma campanha de bombardeio dos EUA e o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, os dois países encontram-se em um impasse custoso, com as exportações de petróleo iranianas bloqueadas e os preços da gasolina nos EUA em níveis recordes em vários anos.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse em uma coletiva de imprensa na sexta-feira que o Irã tinha a chance de fazer um “bom acordo” com os Estados Unidos.
“O Irã sabe que ainda tem uma janela de oportunidade para fazer uma escolha sábia”, disse ele.
“Tudo o que eles precisam fazer é abandonar as armas nucleares de maneira significativa e verificável”, afirmou Hegseth.
Segunda rodada de negociações não aconteceu
A última rodada de negociações de paz estava prevista para ser retomada na terça-feira (21), mas não aconteceu, com o Irã afirmando que ainda não estava pronto para se comprometer a participar e a delegação dos EUA, liderada por Vance, sequer deixando Washington.
Na última terça-feira, Trump estendeu unilateralmente o cessar-fogo de duas semanas para permitir mais tempo para que os negociadores se reunissem novamente.
Os preços do petróleo permaneceram voláteis na sexta-feira, enquanto os investidores avaliavam a possível interrupção causada pelo pior choque do petróleo da história, em meio à perspectiva de novas negociações.
Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam a US$ 105,33 o barril, cerca de 0,3% mais altos, enquanto os contratos futuros do petróleo bruto West Texas Intermediate dos EUA caíram 1%, para US$ 94,88.
Hezbollah rejeita prorrogação do cessar-fogo no Líbano
Na quinta-feira, Israel e Líbano prorrogaram por três semanas o cessar-fogo separado, em uma reunião na Casa Branca intermediada por Trump.

A guerra no Líbano, que Israel invadiu no mês passado para expulsar os aliados do Irã, o Hezbollah, depois que o grupo armado disparou através da fronteira, ocorre em paralelo com a guerra mais ampla contra o Irã, e Teerã afirma que um cessar-fogo é uma condição prévia para as negociações.
Havia poucos sinais de um fim para os combates no sul do Líbano. As autoridades libanesas relataram que duas pessoas foram mortas por um ataque israelense e que o Hezbollah abateu um drone israelense.
Embora o cessar-fogo, que entrou em vigor em 16 de abril, tenha levado a uma redução significativa das hostilidades, Israel e o Hezbollah continuaram a trocar ataques no sul do Líbano, onde Israel mantém soldados em uma autoproclamada “zona tampão”.
“É essencial salientar que o cessar-fogo é insignificante diante da insistência de Israel em atos hostis, incluindo assassinatos, bombardeios e tiroteios”, e da demolição de vilarejos e cidades no sul do Líbano, afirmou o parlamentar do Hezbollah, Ali Fayyad, em resposta à prorrogação do cessar-fogo.
O exército israelense afirmou ter matado seis membros armados do Hezbollah no sul do Líbano na sexta-feira.
Bloqueio no Estreito de Ormuz
Na quinta-feira, Trump afirmou que desejava um acordo “permanente” com o Irã, ao mesmo tempo em que assegurou que os EUA tinham a vantagem no impasse no Estreito de Ormuz, a rota de transporte marítimo de energia mais importante do mundo.
Os EUA ainda não encontraram uma maneira de abrir o estreito, onde o Irã bloqueia quase todos os navios, com exceção dos seus próprios, desde o início da guerra, há oito semanas. O Irã demonstrou seu controle esta semana ao apreender dois enormes navios cargueiros no local.
Trump impôs um bloqueio separado à navegação iraniana na semana passada. O Irã afirma que não reabrirá o estreito até que Trump suspenda o bloqueio.
Apenas cinco navios cruzaram o estreito nas últimas 24 horas, segundo dados de navegação divulgados na sexta-feira, em comparação com cerca de 130 por dia antes da guerra.
Entre eles, um petroleiro iraniano, mas nenhum dos enormes superpetroleiros que transportam petróleo bruto e que normalmente abastecem os mercados globais de energia.

