Integrantes da Procuradoria-Geral da República (PGR), que negociam com os advogados de Daniel Vorcaro uma proposta de delação premiada, adotam cautela com relação às tratativas e seguem analisando os anexos apresentados pela defesa do ex-banqueiro.
Os advogados de Vorcaro tentam convencer os delegados da Polícia Federal (PF) e os procuradores da PGR a aceitar a proposta de delação do ex-banqueiro. A primeira versão foi enviada pela defesa no início de maio e rejeitada pela PF no final do mês.
Os procuradores deram continuidade às negociações a despeito da rejeição da proposta pelos delegados e apesar de terem resistências ao conteúdo. Como titular da ação penal, a PGR tem prerrogativa para conduzir a negociação de forma independente da PF e seguir com as tratativas mesmo diante da recusa da corporação.
Uma semana depois de rejeitar a proposta, a PF retomou as conversas com a defesa de Vorcaro, que deixou de ser comandada pelo advogado José Luís Oliveira, conhecido como Juca, e foi assumida por Sergio Leonardo.
Um mês após a apresentação da primeira proposta, a defesa de Vorcaro enviou aos investigadores uma nova versão na última semana. Os advogados sustentam que a versão mais recente contém elementos inéditos para a investigação. A PF avalia que a proposta ainda é insuficiente e defende a rejeição mais uma vez.
Os procuradores e os investigadores ainda não se convenceram do ineditismo dos fatos narrados por Vorcaro, da capacidade do ex-banqueiro de ressarcir os cofres públicos pelos prejuízos causados com o esquema criminoso e de apresentar elementos que corroborem os fatos narrados.
Diante da fragilidade dos elementos elencados pelo ex-banqueiro na nova versão, os delegados decidiram consultar os procuradores sobre a mais recente versão da proposta apresentada por Vorcaro. A PGR tem evitado trabalhar com um prazo para a definição.

