A OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmou nesta quarta-feira (29) que os ataques a instalações e profissionais de saúde estão aumentando globalmente, com uma elevação significativa registrada desde o início do recente conflito no Oriente Médio.
Antes de os Estados Unidos e Israel lançarem ataques aéreos contra o Irã no fim de fevereiro, os ataques a essas instalações e equipes somavam, em média, cerca de 3,7 por dia no mundo; esse número agora subiu para 4,3, segundo a OMS.
“Isso mostra claramente que a área da saúde está sendo alvo”, disse Altaf Musani, diretor de Intervenções de Saúde em Emergências da OMS, a jornalistas em Genebra.
Os ataques incluem bombardeios e disparos de artilharia contra hospitais e clínicas, além de prisões e intimidação de profissionais de saúde.
“Quando a assistência médica é mais necessária, ela está sendo atacada… Esses ataques estão tendo um impacto profundo no funcionamento dos serviços”, afirmou Musani.
Desde o início do recente conflito no Oriente Médio, 50 hospitais e centros de saúde privados foram fechados e 16 hospitais foram danificados na região, de acordo com a OMS.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, que tem denunciado repetidamente esses ataques e pedido responsabilização, destacou o caso do Líbano, onde foram identificados 149 ataques ao sistema de saúde.
Mais de 2.500 pessoas foram mortas em ataques aéreos israelenses em todo o Líbano desde 2 de março, quando o Hezbollah, apoiado pelo Irã, abriu fogo contra posições israelenses e desencadeou uma campanha de retaliação aérea e terrestre de Israel.
O Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas afirmou no mês passado que ataques israelenses contra civis, incluindo profissionais de saúde no Líbano, podem constituir crimes de guerra.
Israel tem negado repetidamente que tenha como alvo profissionais de saúde e afirma que está mirando posições do Hezbollah.
Também foram relatados 26 ataques a instalações de saúde no Irã desde o fim de fevereiro, acrescentou Tedros Adhanom.
Ataques a unidades de saúde também afetaram profundamente a prestação de serviços médicos em Gaza, que atualmente conta com apenas um hospital totalmente funcional, e no Sudão, onde apenas 54% dos hospitais estão plenamente operacionais, informou a OMS.

