Tainara Soares, de 25 anos, denunciou, nesta segunda-feira (27), ter sido ameaçada após a prisão do policial militar Osvaldo Lima da Silva, suspeito de abusar dela dentro de um posto de fiscalização na rodovia AM-010, no Amazonas. Segundo a vítima, advogados e a companheira do militar teriam tentado intimidá-la para que desistisse do processo.
O tenente teve a prisão preventiva decretada pela Justiça do Amazonas e se apresentou espontaneamente, no dia 7 de abril, no 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), após a denúncia. Tainara afirmou que foi coagida e violentada dentro de uma sala da unidade policial.
De acordo com o relato, a vítima recebeu uma ligação de uma mulher que se apresentou como integrante da Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), oferecendo ajuda financeira. Pouco depois, um carro chegou à casa dela.
Tainara disse, em entrevista coletiva, que aceitou uma carona para buscar o filho. Durante o trajeto, eles pararam em frente a um restaurante e, em determinado momento, a mulher que ela reconheceu como companheira do policial entrou no veículo, ordenou que ela colocasse o celular em modo avião e o entregasse ao motorista, o que ela negou.
A vítima relatou que temeu pela própria vida durante a situação. “Comecei a chorar, me desesperar e pensei: eu vou morrer hoje”, disse, abalada.
Tainara contou que, no início, a companheira do militar questionou se ela teria criado uma suposta “vaquinha” para arrecadar dinheiro para sair da capital e disse que havia sido procurada para ajudar com a doação. Em seguida, o teor da conversa mudou.
“Ela disse que eu estava me envolvendo com gente grande e que, assim que eu não tivesse serventia pra nada, eles iam me descartar”, lembrou.
Segundo a deputada estadual Alessandra Campêlo, responsável pela Procuradoria da Mulher, a ação foi uma “emboscada”. “Três pessoas armaram uma emboscada, se passaram por integrantes da Procuradoria da Mulher e tentaram fazer a vítima desistir do processo”, afirmou.
A parlamentar classificou o caso como ameaça, falsa identidade e coação no curso do processo.
Denúncias
O tenente é investigado em dois processos. Um deles é o caso de Tainara Soares, ocorrido no dia 6 de abril, na rodovia AM-010. Segundo a vítima, ela estava de moto com um grupo de amigos quando foi abordada por policiais militares.
O tenente mandou que ela entrasse na viatura sozinha e disse que iria levá-la até o posto de fiscalização da barreira do bairro Lago Azul, que dá acesso à rodovia AM-010, porque a moto seria roubada, o que era mentira. O estupro aconteceu dentro de uma das salas.
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Outra denúncia foi feita por uma ex-enteada do militar, hoje com 17 anos. À Rede Amazônica, ela relatou que os abusos começaram quando tinha oito anos de idade.
Segundo o relato, o primeiro abuso aconteceu à noite, após dormir na mesma cama que a mãe e o tenente. Osvaldo apalpou a menina enquanto a mãe dormia ao lado, forçou a criança a tocar sua genitália e disse que a mataria, junto com a família, caso ela contasse a alguém.
A denúncia foi formalizada em 2020, quando ela tinha entre 12 e 13 anos, com apoio do pai e da avó paterna. A jovem afirmou ter desenvolvido depressão, ansiedade, fobia social e transtorno bipolar. Relatou três tentativas de suicídio e uso contínuo de medicação controlada.
Dias antes da entrevista, a adolescente havia recebido alta hospitalar após uma nova tentativa. “Ele destruiu a minha vida por completo”, disse. Pelo caso, Osvaldo Lima da Silva já havia sido denunciado pelo Ministério Público em 2025.
O que disse a defesa
Após a prisão, a defesa do tenente negou as acusações, por meio de nota. Os advogados afirmaram que há contradições nos depoimentos da vítima e de testemunhas, que, segundo eles, serão esclarecidas ao longo do processo.
A defesa também destacou que o militar se apresentou espontaneamente à delegacia, prestou depoimento e autorizou a coleta de DNA, mesmo sem obrigação legal. Segundo os advogados, a medida demonstra confiança na inocência dele.
Ainda conforme a nota, a defesa aguarda a inclusão de novas provas, como imagens. Os advogados argumentam que o laudo pericial confirma apenas a ocorrência de relação sexual, o que, segundo eles, não caracteriza estupro. A defesa também cita que a vítima teria relatado uma relação consensual anterior, que poderia explicar os vestígios encontrados.
A Polícia Militar do Amazonas (PMAM) informou que o agente segue preso no Núcleo Prisional da corporação, por determinação judicial. Ele já foi ouvido pela equipe do 26º Distrito Integrado de Polícia (DIP), responsável pelas investigações.
Paralelamente, foi instaurado um Inquérito Policial Militar pela Diretoria de Justiça e Disciplina da PMAM. O procedimento acompanha o inquérito conduzido pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM).
A defesa informou ainda que não iria se manifestar sobre a denúncia feita pela jovem de 17 anos.
Foram solicitados posicionamentos da Polícia Civil do Amazonas para saber se a corporação foi acionada sobre as novas denúncias, e da defesa do suspeito, mas não houve resposta até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto.
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