O ex-banqueiro Daniel Vorcaro contava com a ajuda de Marilson Roseno da Silva, então escrivão da Polícia Federal, para monitorar eventual investigação contra sua atuação enquanto dono do Banco Master desde agosto de 2021.
Um relatório produzido pela PF aponta que Silva usava o sistema interno da polícia para fazer buscas relacionadas a Vorcaro e seus aliados para identificar se havia alguma apuração em curso contra eles.
A informação foi tornada pública nesta terça-feira (16) pelo ministro André Mendonça, pouco depois de o ministro Gilmar Mendes marcar o julgamento sobre a prisão de Henrique e Felipe Vorcaro, pai e primo de Daniel, respectivamente. Gilmar havia pedido vista e, quando a análise do caso foi iniciada, Mendonça mantinha a íntegra da apuração sob sigilo.
No caso de Silva, que está aposentado da polícia, a prisão foi determinada em 14 de maio sob acusação de liderar o grupo intitulado “A Turma”, que, segundo a PF, tinha como objetivo “executar ações de levantamento de informações de inquéritos policiais e processos em andamento, inclusive sigilosos, mapeamento de dados de pessoas físicas e jurídicas, inclusive em sistemas oficiais restritos, além de ações de intimidação de pessoas, que de alguma maneira desagradavam o chefe, Daniel Vorcaro”.
Ele também fez buscas no sistema da PF sobre Antônio Augusto Conte, antigo sócio de Vorcaro.
“A circunstância ganha especial destaque, tendo em vista que ambos mantiveram relação societária e de parceria empresarial com Daniel Vorcaro, durante um período, conforme ampla divulgação pela imprensa econômica e investigativa”, diz a PF.
A polícia afirma que a análise dos registros de buscas no sistema da PF por Silva apontam que ele “atuava no interesse de Vorcaro desde no mínimo o mês de agosto de 2021, utilizando-se do acesso funcional de policial federal da ativa para realizar consultas direcionadas em sistemas restritos da polícia, com o objetivo de obter informações privilegiadas, monitorar investigações sensíveis e resguardar interesses privados”.


