ão da PF (Polícia Federal) apontou que o BRB (Banco Regional de Brasília) transferiu R$ 12,2 bilhões ao Banco Master após a compra de créditos, que seriam fraudulentos, de uma empresa chamada Tirreno. A proposta seria “viabilizar e promover a liquidez” da instituição financeira, que enfrentava uma crise na época.
As informações fazem parte da quebra de sigilo das investigações que o ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou sobre o caso na noite de quinta-feira (9).
Segundo a PF, o Master precisava captar recursos e simulou a aquisição de carteiras de créditos supostamente originadas pela empresa Tirreno. A corporação afirmou que essa companhia não tinha histórico financeiro compatível com o volume negociado.
O Master, então, revendia as carteiras ao BRB. Uma das supostas compras teria sido de R$ 6,7 bilhões e a outra, colocada como “prêmio”, de R$ 5,5 bilhões. No total, esse valor somava R$ 12,2 bilhões, que foram transferidos entre janeiro e maio de 2025.
A indicada compra desses ativos representava 30% de todos os bens do BRB, “circunstância que configura indício relevante de que a instituição pública buscou amparar o Banco Master em sua crise de liquidez.” No entanto, não há comprovação dos créditos adquiridos.
Segundo a investigação, a vontade do BRB “sempre foi emprestar dinheiro ao Banco Master, mas não pôde fazê-lo diretamente em virtude de limitações de exposição”. Ainda, dizem que “a substituição entre os créditos BRB-Master ocorreu por pura camaradagem, em desacordo com a formalidade do instrumento contratual firmado, mas como tentativa de abafar a fiscalização das operações”.
A PF ainda relatou que havia situações nas quais “o comprovante de depósito não correspondia ao valor da CCB (Cédula de Crédito Bancário)”. A situação se manteve mesmo depois de três meses de fiscalização.
Segundo a PF, as operações de crédito não puderam ser ligadas a fluxos financeiros reais. Em parte, por não haver documentos — como autenticação em cartório — comprovando a existência dos ativos.
O BRB teria realizado essa operação mesmo depois de receber um alerta do BC (Banco Central). “Entretanto, apenas depois de transferidos os R$ 12,2 bilhões, o BRB concluiu pelo desfazimento do negócio”, diz trecho do documento.
E completa: “Mesmo após ter ciência de que as operações estavam sendo monitoradas pelo Banco Central, o BRB continuou realizando repasses bilionários ao Banco MASTER em virtude de CCBs originadas por terceiros. O BCB afirma que entre abril e maio de 2025 foram cedidas CCBs carteiras que totalizaram 4,05 bilhões, com a respectiva transferência de prêmio ao Banco Master.”
O BRB, então, informou que faria uma “substituição de créditos”. Contudo, essa substituição seria feita de forma “contrária aos termos do contrato, que não permitia” esse tipo de movimentação.
“Chama atenção, ainda, o descumprimento da cláusula resolutiva que importaria na devolução imediata de 6,7 bilhões de conta vinculada da TIRRENO no Banco MASTER aos cofres do BRB, optando-se por uma devolução em tranches mensais totalmente alheia às previsões contratuais”, complementa.
Entenda o papel da Tirreno
A PF apontou que o “único relacionamento da Tirreno no âmbito do Sistema Financeiro Nacional” era com o Master. “Não há registro de crédito tomado pela empresa no Sistema de Informações de Créditos”, segundo a investigação.
A corporação, então, criou a hipótese de que a Tirreno “serviu como blindagem para atuação criminosa da Sociedade de Crédito Direto Cartos”, apontada como “a verdadeira originadora dos créditos cedidos ao Master.
“Alega-se que a empresa TIRRENO era, no mínimo, afiliada da CARTOS, considerando que esta detinha o controle, ou mesmo possuíam controle comum, direto ou indireto, e a titularidade de participação societária”, relatava trecho da investigação.
O BRB informou que todos os créditos intermediados pela Tirreno “foram celebrados por correspondentes bancários da Cartos”. Havia ainda um contrato explicitando o vínculo entre a Tirreno e a Cartos, mas não havia autenticação ou assinatura eletrônica nesse documento.
“Outrossim, menciona-se contradições entre informações prestadas pela TIRRENO e pela CARTOS. A originadora CARTOS nega que aquelas averbações digam respeito as carteiras que a Tirreno havia vendido para o MASTER. A CARTOS atribui as averbações a cessões realizadas a fundos de investimentos creditórios, e não à Tirreno ou ao Banco Master”, completava a investigação
O espaço segue aberto para manifestação.

