A nova era da Fórmula 1 começa neste fim de semana com o Grande Prêmio da Austrália, etapa de abertura da temporada, em que as equipes enfrentarão o desconhecido ao colocar em prática, sob condições reais de corrida, uma ampla reformulação técnica.
Pela primeira vez em décadas, a categoria promoveu simultaneamente mudanças profundas nos regulamentos de chassi e de unidades de potência. A transformação representa um desafio considerável para pilotos e engenheiros e também levanta questionamentos sobre a qualidade das disputas na pista.
Com uma paridade próxima entre os motores elétricos e a combustão e a utilização de combustível 100% sustentável de nova geração, os pilotos tiveram uma prévia das novidades nos testes de pré-temporada. Ainda assim, admitem incertezas sobre o comportamento dos carros em situações de disputa direta durante as corridas.
O australiano Oscar Piastri, da McLaren, afirmou nesta quarta-feira estar mais confortável do que há alguns meses em relação à forma de pilotar e extrair o máximo dos novos carros. Ressaltou, no entanto, que ainda há variáveis desconhecidas.
Segundo ele, a equipe acreditava ter entendido o carro dois meses atrás, mas descobriu durante os testes de inverno que havia uma série de pontos ainda não compreendidos.
Com maior geração de energia elétrica em comparação aos motores da última temporada, cresce a exigência por uma gestão mais estratégica da energia, tanto na aplicação quanto na regeneração.
O antigo sistema de redução de arrasto (DRS) foi substituído por um novo modo de ultrapassagem que oferece potência extra.
O tetracampeão mundial Max Verstappen classificou as mudanças como “uma Fórmula E com esteroides” e “antipropícia às corridas”. Já o presidente-executivo da Fórmula 1, Stefano Domenicali, defendeu o novo regulamento e garantiu que o espetáculo e a emoção serão mantidos.
As alterações podem produzir efeitos distintos de acordo com cada circuito, obrigando as equipes a aprender e se adaptar ao longo do calendário.
Piastri avaliou que a prova deste domingo, no circuito de Albert Park, deve evidenciar os aspectos mais “não naturais” da pilotagem, com maior uso de técnicas como tirar o pé e economizar combustível, além da necessidade de maximizar o desempenho da unidade de potência.
Ele destacou que a potência pode variar ao longo das retas e que o cenário traz muitos desafios e incertezas.
As novas regras também alimentaram a expectativa de um campeonato mais equilibrado e da possível ascensão de uma equipe capaz de romper a hegemonia das principais forças. No entanto, os testes no Bahrein indicaram a manutenção de um grupo de ponta formado por Ferrari, Mercedes, Red Bull e McLaren.
O chefe da equipe Audi, Jonathan Wheatley, avaliou que a diferença entre as equipes mais rápidas e as demais pode até aumentar. Segundo ele, já é possível observar um intervalo maior entre os melhores e os mais lentos do que nas últimas temporadas.
Independentemente da ordem de forças, o grid ficará mais cheio com a entrada da nova equipe Cadillac. Ainda assim, pode haver menos pressão em Albert Park devido aos problemas enfrentados pela Aston Martin na pré-temporada.
Mesmo com a orientação técnica de Adrian Newey, contratado junto à Red Bull, a equipe impulsionada por motores Honda completou poucas voltas nos testes de inverno e apresentou problemas de confiabilidade.
Os carros AMR26 estarão na Austrália — o que representa certo alívio para a organização da categoria —, mas existe a possibilidade de que disputem apenas algumas voltas antes de abandonar a corrida.

