O dólar ganhou força ante o real nesta manhã de sexta-feira (5) após dados mostrarem geração de empregos acima do esperado em maio nos EUA, sendo que no exterior a moeda norte-americana também avança ante as demais divisas.
Por volta das 12h, o dólar à vista subia 1,13%, cotado a R$ 5,12 na venda.
No mesmo horário, o Ibovespa caía 0,16%, aos 170 mil pontos.
A bolsa paulista retornou do feriado sem uma tendência definida nesta sexta-feira, com investidores analisando dados robustos sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos, enquanto Embraer era destaque positivo após nova encomenda da Azorra.
O Departamento do Trabalho dos EUA informou que foram gerados 172 mil postos de trabalho em maio, bem acima dos 85 mil projetados por economistas ouvidos pela Reuters.
O número deu força à percepção de que o Fed (Federal Reserve) tende a trabalhar com taxas de juros mais elevadas, ainda mais em um contexto de guerra no Oriente Médio, o que impulsionou os rendimentos dos Treasuries.
Após os dados, o mercado futuro de juros dos EUA passou a precificar uma chance de 65% de o Federal Reserve aumentar a taxa de juros em dezembro, ante 48% antes da publicação dos números.
Nos mercados de moedas, o dólar também ganhava força ante as demais divisas – incluindo o real, que exibiu leves ganhos logo após a divulgação.
Na quarta-feira (3), a moeda norte-americana à vista fechou com alta de 1,12% no Brasil, aos R$ 5,066, mas na quinta-feira (4) o mercado brasileiro permaneceu fechado em função do feriado de Corpus Christi.
“O número afasta o fantasma de recessão nos EUA, mas pode ter um efeito de ‘good news is bad news‘, à medida que pode motivar o Fed a apertar os cintos e manter juros altos por ainda mais tempo, conforme um mercado de trabalho aquecido tende a pressionar a inflação”, ponderou a estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, citando a máxima do mercado que diz que “boa notícia é má notícia”.
Nesta volta do feriado, as atenções também seguem voltadas para o Oriente Médio, após o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, ter rejeitado na quinta-feira um novo cessar-fogo no Líbano, enquanto Israel disse que não iria retirar as tropas do país.
Essas decisões minam um possível entendimento entre Teerã e Washington, já que o Irã vem considerando o cessar-fogo entre Israel e Hezbollah como requisito para um acordo de paz com os EUA.

