O varejo brasileiro mostrou crescimento de 5,5% no último mês de março e alta de 6,4% na comparação com 2025, de acordo com o Índice do Varejo Stone (IVS). No acumulado do primeiro trimestre de 2026 ante mesmo período do ano anterior, o setor avançou 2,4%.
O desempenho em março indica recuperação em relação ao mês de fevereiro. Ainda assim, segundo Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone, o desempenho do não muda o cenário mais amplo do setor.
“O ambiente ainda é desafiador para o varejo. No acumulado do primeiro trimestre, há crescimento em relação ao mesmo período do ano passado, mas o nível de atividade ainda está abaixo do observado no fim de 2025”, afirma.
De acordo com ele, apesar do mercado de trabalho apresentar força, assim como a renda que continua crescendo, o alto nível de endividamento das famílias e o crédito mais caro limitam uma recuperação mais consistente.
No recorte mensal, todos os oito segmentos analisados apresentaram crescimento em março:
- Combustíveis e Lubrificantes (13,7%);
- Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (9,2%);
- Móveis e Eletrodomésticos (5,2%);
- Material de Construção (4,8%);
- Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (4,1%);
- Tecidos, Vestuário e Calçados (3,3%);
- Artigos Farmacêuticos (2,1%);
- Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (0,3%).
No comparativo anual, a única queda foi registrada em Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (2,2%). Os demais segmentos apresentaram crescimento:
- Combustíveis e Lubrificantes (10,6%);
- Material de Construção (9,4%);
- Artigos Farmacêuticos (8,9%);
- Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (6,4%);
- Móveis e Eletrodomésticos (4,9%);
- Tecidos, Vestuário e Calçados (4,5%);
- Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (1,3%).
Ainda na comparação anual, todos os estados apresentaram crescimento, com maior avanço em Sergipe (12,6%), seguido por Pernambuco (9,3%), Pará (8,4%), Rio de Janeiro (8,1%) e Paraíba (7,1%).
Para o economista da Stone, por enquanto a tendência é de que o varejo continue apresentando resultados mistos nos próximos meses.
“Setores mais ligados à renda têm tido um desempenho melhor do que aqueles que dependem mais de crédito. O início do corte de juros em março é um ponto positivo e pode ajudar a destravar o consumo ao longo do ano, mas seus efeitos ainda não foram sentidos”, afirma.

