O professor de jiu-jítsu e lutador Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira, conhecido como Melqui Galvão, é alvo de nove denúncias de abuso sexual. Segundo apuração, oito delas são investigadas pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), no Amazonas.
Melqui Galvão também é investigado pela Polícia Civil de São Paulo, onde as investigações tiveram início após denúncia de uma ex-aluna, de 17 anos, registrada na capital. Ele está preso preventivamente na cidade. Até o momento desta reportagem a defesa de Galvão não ofereceu resposta. O espaço segue aberto.
Entre as nove vítimas ouvidas até a última atualização, seis relataram estupro, uma denunciou armazenamento indevido de fotos de menores, outra relatou coação e ameaças, e uma afirmou ter sofrido abuso sexual. Seis delas recebem acompanhamento da Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
Recentemente uma nova vítima confirmou a TV Globo que foi estuprada cinco vezes ao longo de um ano enquanto participava do projeto social esportivo dele em Manaus.
O irmão do lutador, Enoque Galvão, também é alvo de acusações de estupro e importunação sexual por duas mulheres. Os crimes teriam ocorrido quando ele visitava o projeto social de Melqui. Enoque é policial e está preso temporariamente. A defesa dele também não foi localizada.
Quem é Melqui Galvão
Melqui Galvão é faixa preta e treinador de jiu-jitsu, sendo responsável por uma academia na Zona Norte de Manaus. Ele também atuava como instrutor de defesa pessoal na Polícia Civil do Amazonas, onde era servidor efetivo lotado no setor de capacitação, ministrando treinamentos. Diante da gravidade das denúncias, foi afastado cautelarmente de suas funções até a conclusão das investigações.
Ele é pai do multicampeão da modalidade, Mica Galvão. Após a prisão dele, Mica usou as redes sociais para se manifestar. Ele afirmou que vive um momento difícil, destacou a relação com o pai e defendeu que o caso seja apurado com rigor pelas autoridades.
“É difícil encontrar palavras para um momento como esse. Meu pai, Melqui Galvão, foi quem me colocou no tatame pela primeira vez ainda criança. Foi ele quem me ensinou a lutar, a competir, a respeitar o adversário e a ter caráter”, escreveu.
Na publicação, o atleta também repudiou qualquer tipo de violência. “Como pessoa, repudio qualquer forma de assédio ou violência contra mulheres e crianças — esse é um valor que carrego e que não abre exceção”, afirmou.
Investigação e prisão
Segundo a investigação, uma adolescente de 17 anos, ex-aluna do treinador, denunciou a prática de atos libidinosos não consentidos durante uma competição esportiva realizada fora do país. A vítima está atualmente nos Estados Unidos e foi ouvida pelas autoridades, junto com familiares.
De acordo com a polícia, os denunciantes apresentaram uma gravação na qual o investigado admite indiretamente o ocorrido e tenta evitar que o caso seja levado adiante, com a promessa de compensação financeira.
Durante a apuração, outras duas possíveis vítimas foram identificadas em diferentes estados do país. No depoimento, elas relataram episódios semelhantes. Em um dos casos, a vítima afirmou ter 12 anos na época dos fatos.
Segundo a polícia, na época, após a decretação da prisão, Melqui Galvão viajou menos de 24 horas antes para o estado do Amazonas. Após contato entre as corporações, ele se apresentou às autoridades em Manaus, onde teve a prisão cumprida.
A Polícia Civil segue com as investigações para apurar a extensão dos crimes e identificar possíveis novas vítimas.

